Juliana Brizola critica falta de ações contra enchentes e defende avanços na educação

Em debate na noite desta terça-feira (29), a candidata do time de Lula ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT) reafirmou seu compromisso com pautas centrais para a população gaúcha, como as enchentes, educação e segurança pública.

O programa foi promovido pela RBS TV, afiliada da TV Globo no RS, contou com a participação dos quatro candidatos mais bem posicionados nas pesquisas: Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL), Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB).

Sobre tragédia das inundações que aconteceram em 2024 e o risco de que voltem a ocorrer, Juliana criticou a falta de projetos e de resoluções por parte do governo de Eduardo Leite (PSD).

A candidata disse que a população sente medo quando começa a chover por não ter clareza do que foi feito para evitar novas enchentes e por não haver protocolos claros e específicos para cada região do estado sobre como agir nessas situações.

Dirigindo-se a Gabriel Souza (MDB), vice de Leite e candidato a governador, Juliana declarou: “Eu compreendo que existam obras estruturantes que são mais demoradas, mas o que eu vejo é que faltam transparência e diálogo com a população. A população não sabe em que ponto estão as obras, nem o que fazer quando chove”.

A candidata completou dizendo: “O que eu sei é que temos R$ 6 bilhões numa conta que o governo Lula mandou para o Rio Grande do Sul em 2024, mas esse dinheiro está parado. Não tem um projeto. Há 15 dias apareceu o primeiro, para um dique em Eldorado do Sul. Essa demora não é compreensível”.

Educação

Um dos primeiros assuntos do debate, a educação, foi abordado já no primeiro bloco. Ao ser questionada pelo bolsonarista Luciano Zucco (PL) sobre as escolas cívico-militares, Juliana respondeu: “Esse modelo que tu defendes acabou levando muito a ideologia para dentro da escola. Eu não concordo. A escola tem que ser laica, absorver tudo que é tipo de ideologia. Eu acredito é na escola de tempo integral”.

Ao tratar desse tema mais a fundo, Juliana lembrou: “O meu avô Leonel Brizola já sabia disso há mais de 40 anos: que o nosso país, o nosso estado, poderiam estar em outro patamar se tivessem levado a educação de qualidade para a frente. Por isso que eu entendo que a educação tem que ser política de Estado. Não pode ser uma política de governo”.

Juliana defendeu que “a comunidade escolar precisa de continuidade, previsibilidade e de segurança. E, para isso, existe um fator muito importante: a valorização dos nossos professores e dos funcionários das escolas”.

Disse, ainda, que vai investir na estrutura das escolas. “Hoje, muitas não têm laboratório, não têm biblioteca, não têm quadra de esportes cobertas, adequadas ao inverno, e muitas escolas sequer têm luz”. E salientou: “No nosso governo, a educação será prioridade de verdade. Esta é a minha escola, não estou inventando, aprendi dentro de casa que educação forte, professor valorizado é estado economicamente desenvolvido”.

Servidores e segurança pública

A candidata também defendeu a valorização dos servidores públicos, referindo-se especialmente aos brigadianos — como são conhecidos os policiais militares gaúchos. “No RS, os policiais estão morrendo mais por suicídio do que em combate”, enfatizou. Segundo dados do Grupo Interdisciplinar de Trabalho e Estudos Criminais-Penitenciários da Universidade Católica de Pelotas, entre 2019 e 2024 foram 51 suicídios. No mesmo período, as mortes em confronto foram 31.

“O estado tem a obrigação de cuidar de quem cuida de nós, e o que a gente vê hoje no servidor público é humilhação, desvalorização, falta de estrutura. Os servidores do nosso estado estão sendo penalizados por uma opção de regime de recuperação fiscal que mirou neles, para (o governo) dizer que ia botar as contas em dia”, completou.

Para lidar com esses e outros problemas, Juliana disse que uma das saídas é melhorar a articulação entre os governos do estado e federal para a obtenção de mais recursos e investimentos. “Eu não quero trazer a guerra de Brasília para o RS; eu quero fazer as pazes com Brasília. Tudo o que a gente precisa para voltar a crescer é articulação política”, argumentou.

Ela pontuou ainda que estados de outras regiões obtêm mais recursos por dialogarem melhor com a esfera federal. “Infelizmente, o RS passou a não querer mais se articular com Brasília porque na cadeira do Palácio do Planalto está alguém com quem eles não concordam ideologicamente, ou seja, os interesses deles estão à frente dos do povo gaúcho”, disse, criticando a atual gestão estadual.

Em suas considerações finais, Juliana listou três motivos para os eleitores a escolherem. O primeiro, o seu preparo acadêmico e como mulher pública — já que foi vereadora, secretária municipal de Porto Alegre e deputada estadual por três mandatos. O segundo, a sua capacidade de diálogo e, por fim, a sua disposição e capacidade para lidar com os principais problemas do estado.

“Tenho projetos para acabar com a fila na saúde, para resgatar a nossa educação e para que o nosso estado volte a crescer econômica e socialmente”, concluiu.

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