Jogo inspirado em Super Mario satiriza escândalos de Flávio Bolsonaro

Servidores que não podem ver Flávio, fiscais do Coaf, provas espalhadas pelo vento, agentes da Polícia Federal e um auditor fazendo contas. Esses são alguns dos obstáculos de Super Flávio World, jogo gratuito que transformou investigações e escândalos do candidato do PL em sete fases inspiradas no clássico Super Mario World, um clássico dos videogames.

Lançado pouco antes do primeiro turno e compartilhado nas redes depois da votação, o jogo apresenta Flávio como “Flavinho”. 

Para vencer, o jogador precisa atravessar episódios que acompanharam a carreira política do senador sem ser flagrado, perder vidas ou deixar que as investigações interrompam seu caminho.

Na tela de abertura, avisam que se trata de uma “paródia baseada em fatos reais”. Ao final de cada fase, o jogador encontra reportagens e documentos sobre o caso retratado.

A primeira missão, “O fantasma da Câmara”, volta a 2000, quando Flávio tinha 19 anos e ocupava um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília, embora morasse, estudasse e fizesse estágio no Rio de Janeiro. 

O jogador deve bater cinco vezes o ponto sem ser visto pelos servidores. Se for reconhecido, aparece na tela a palavra “Flagrado!”.

O caso foi revelado pela BBC News Brasil em 2019 e o jogo informa que Flávio não foi condenado pelo episódio.

Na etapa seguinte, “O assessor de Wall Street”, quem entra em cena é Fabrício Queiroz.

O ex-assessor percorre o cenário recolhendo parte dos salários dos funcionários do antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), enquanto tenta escapar dos fiscais do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

É a versão game do caso das rachadinhas. Flávio chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio por organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita. Decisões da Justiça, no entanto, anularam provas da investigação. 

O jogo também ironiza o desfecho do caso. Em uma das telas de fim de partida, uma representação de Sergio Moro surge como “ajuda inesperada” e devolve cinco vidas ao personagem.

“Laços de família”, a terceira fase, trata das relações do antigo gabinete de Flávio com Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado pelas autoridades como chefe do Escritório do Crime. O jogador precisa entregar crachás à mãe e à ex-mulher de Adriano, ambas empregadas no gabinete, e distribuir medalhas pelo caminho.

Quando era deputado estadual, Flávio apresentou homenagens a Adriano na Alerj. O ex-policial, morto durante uma operação na Bahia em 2020, também foi investigado por sua atuação em milícias no Rio de Janeiro.

Na quarta fase, “A fantástica fábrica de depósitos”, o cenário é uma loja de chocolates. Quanto mais dinheiro vivo “Flavinho” carrega, mais difícil se torna pular. A missão é levar as notas aos caixas eletrônicos e completar 1.512 depósitos.

A referência é à franquia da Kopenhagen da qual Flávio foi sócio. A movimentação financeira da loja apareceu nas apurações sobre uma possível lavagem de dinheiro ligada às rachadinhas. O senador negou irregularidades no negócio.

A passagem pelo Judiciário aparece em “E as provas, o vento levou”. Relatórios do Coaf voam pelo cenário, enquanto carimbos com a palavra “anulado” aparecem e desaparecem sobre buracos. O jogador precisa desviar dos documentos e chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A quinta fase satiriza as decisões que invalidaram as principais provas usadas no processo das rachadinhas e impediram o avanço do caso contra Flávio.

Os dois últimos desafios tratam de fatos mais recentes. Em “Quase 200 mil”, o jogador recolhe moedas até alcançar R$ 199.999,79 para destinar uma emenda parlamentar. No trajeto, precisa escapar de celulares apreendidos pela PF e de um auditor do Tribunal de Contas da União (TCU). A fase cita a negociação de recursos com o miliciano conhecido como Peixe.

O jogo termina com “Show me the money”. Montado em um cavalo, “Flavinho” persegue uma nuvem marcada com a letra M e tenta recolher US$ 24 milhões sem ser alcançado por agentes federais. O cenário remete à investigação sobre recursos do Banco Master destinados a Dark Horse, projeto de filme sobre Jair Bolsonaro.

Os responsáveis pelo projeto lembram que o mandato de Flávio no Senado termina em janeiro de 2027. Caso perca a eleição, ele ficará sem cargo e sem foro por prerrogativa de função. Se chegar à Presidência, não poderá ser responsabilizado durante o mandato por atos estranhos ao exercício do cargo.

“Aí o jogo provavelmente continua, impune, no Super Flávio World”, concluem os criadores.

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