A proposta de Flávio Bolsonaro (PL) de mudar a Constituição para “redemocratizar” o Brasil repercutiu na imprensa internacional como sinal de risco autoritário. Jornais da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina relacionaram a fala ao projeto político de Jair Bolsonaro e ao crescimento da extrema direita no Congresso.
O britânico The Guardian publicou a reportagem com o título “‘Outro golpe de Estado’: cresce o temor após Flávio Bolsonaro prometer ‘redemocratizar’ o Brasil”. O jornal lembrou que o país retomou a democracia nos anos 1980, depois de 21 anos de ditadura, regime elogiado pelo ex-presidente.
Já o Washington Post afirmou que o avanço da direita pode dar a Flávio “um poder que seu pai nunca teve”.
O jornal norte-americano alertou que com uma base parlamentar mais ampla Flávio poderia tentar aprovar a anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro, mudar a Constituição e abrir processos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O espanhol El País chamou Flávio de “ultra” e destacou que a proposta provocou preocupação diante do histórico golpista do pai. O jornal citou os planos de reformar o Judiciário, reduzir a maioridade penal e acabar com a reeleição.
Na Argentina, o Página 12 também classificou Flávio como candidato de ultradireita e chamou atenção para a maior presença do bolsonarismo no Congresso. O jornal ressaltou que Lula convocou os eleitores às ruas para impedir que o país volte a sofrer um “retrocesso”.
No Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin comparou a proposta de Flávio à Constituição imposta pela ditadura. “Mal terminou o primeiro turno das eleições e eles já estão falando em mudar a Constituição para redemocratizar o Brasil”, afirmou.