A corrida pelo governo da Bahia ganhou novos contornos com a divulgação da pesquisa Paraná Pesquisas nesta quinta-feira (27). Embora ACM Neto (União Brasil) mantenha a liderança com 48,6% das intenções de voto, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) apresentou crescimento consistente, reduzindo a diferença de 10,2 para 8,5 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior de agosto. O movimento sugere uma tendência de aproximação que pode definir os rumos da disputa até o primeiro turno, marcado para 6 de outubro.
A matemática da aproximação
Os números revelam uma dinâmica favorável ao petista. Jerônimo saltou de 38,7% para 40,1% das intenções de voto, enquanto ACM Neto oscilou negativamente de 48,9% para 48,6%. A redução da vantagem ocorre em um cenário de polarização clara: os demais candidatos — José Estêvão ou Ariel Capistrano (DC, em disputa judicial), Maria Bona (PCO), Ronaldo Mansur (PSOL) e Aroldo Félix (UP) — não somam juntos 2% das preferências.
No confronto direto, simulando um eventual segundo turno, a tendência se confirma. ACM Neto aparece com 49,3% contra 41% de Jerônimo, mas a diferença caiu de 10,9 para 8,3 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. O governador ganhou um ponto percentual, enquanto o ex-prefeito de Salvador recuou 1,6 ponto — um movimento que, se mantido, pode tornar a disputa mais competitiva nas semanas finais.
A força da chapa senatorial
Se no governo a disputa ainda pende para ACM Neto, a corrida pelas duas cadeiras do Senado revela uma hegemonia petista que pode ter impacto decisivo na composição política do estado. Rui Costa lidera com 43,5% das intenções de voto, seguido por Jaques Wagner com 32,2%. Juntos, os dois petistas somam 75,7% das preferências em um cenário onde cada eleitor pode escolher até dois candidatos.
Os adversários aparecem distantes: João Roma (PL) registra 26,6% e Angelo Coronel (Republicanos) tem 25,1%. Professora Delliana (PSOL) e Marcelo Carvalho (Rede) não chegam a 4% cada. A liderança dupla de Rui e Wagner sugere que o eleitorado baiano, mesmo dividindo o voto para governador, mantém forte identificação com o projeto petista no Senado — um fenômeno que pode ser explorado estrategicamente pela campanha de Jerônimo nas próximas semanas.
Aprovação acima da desaprovação
A pesquisa também avaliou a gestão de Jerônimo Rodrigues, revelando um cenário de aprovação superior à desaprovação: 53,4% dos entrevistados aprovam o governo, contra 43,6% que desaprovam. Na avaliação detalhada, 41,7% consideram a gestão ótima ou boa (15,1% ótimo e 26,6% bom), enquanto 20,9% avaliam como regular e 35,5% como ruim ou péssima.
Embora a aprovação tenha oscilado negativamente de 55,2% para 53,4% em relação ao levantamento anterior, o saldo positivo de quase 10 pontos percentuais oferece ao governador um patrimônio político relevante para a reta final de campanha. A desaprovação, por sua vez, subiu de 41,5% para 43,6%, indicando que há espaço tanto para consolidar apoiadores quanto para enfrentar críticas.
O fator indecisão
Um dado que chama atenção é o alto índice de indecisos na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados: 31,5% dos entrevistados não souberam ou não opinaram. Nesse cenário, ACM Neto é lembrado por 34,4% e Jerônimo por 26,3%. A margem de indecisos sugere que ainda há espaço para as campanhas trabalharem a identificação e o recall junto ao eleitorado, especialmente em um estado com 62 municípios pesquisados e realidades regionais distintas.
O Paraná Pesquisas ouviu 1.400 eleitores presencialmente em 62 municípios da Bahia entre os dias 23 e 25 de agosto de 2026. A margem de erro estimada é de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BA-07628/2026.
Tendência versus realidade
A redução da vantagem de ACM Neto é um sinal de que a campanha de Jerônimo começa a produzir efeitos, mas ainda está longe de configurar uma virada. O ex-prefeito de Salvador mantém uma liderança confortável. No entanto, a tendência de crescimento do governador e a força da chapa senatorial petista indicam que a disputa pode se tornar mais competitiva do que os números atuais sugerem.
O desafio de Jerônimo será converter a aprovação de seu governo (53,4%) em intenção de voto, fechando a lacuna de 8,5 pontos que ainda o separa de ACM Neto. A estratégia petista parece apostar na associação com Rui Costa e Jaques Wagner, cujas lideranças no Senado podem puxar votos para o governador. Já ACM Neto luta para estancar a queda numérica e consolidar sua vantagem.
A Bahia, tradicional reduto petista que elegeu governadores do partido desde 2006, vive um momento de inflexão. A pesquisa mostra que, embora ACM Neto lidere, a distância está diminuindo — e em política, tendência costuma ser mais importante do que fotografia.