
Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma rede de 1.525 perfis nas redes sociais que atuam em colaboração para divulgar conteúdos favoráveis à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador pede o bloqueio das páginas, a identificação de responsáveis por perfis anônimos e até a cassação da chapa Lula-Alckmin, sob a alegação de abuso de poder.
A ofensiva ocorre após o fortalecimento da mobilização digital de apoiadores de Lula desde o primeiro turno. Organizados em redes de colaboração, os perfis publicam conteúdos conjuntos para ampliar o alcance de mensagens sobre as propostas dos candidatos e estimular a participação no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio criticou o que chamou de “rede de collabs”, formada pelos 1.525 perfis. Segundo o senador, 11% das publicações mapeadas conteriam “fake news”. A campanha também tenta barrar grupos de WhatsApp que distribuem tarefas diárias de mobilização política.
Entre os conteúdos divulgados pelos apoiadores de Lula estão críticas às propostas econômicas de Flávio Bolsonaro, especialmente aos cortes no orçamento federal que, segundo as publicações, poderiam afetar programas como o Farmácia Popular. As páginas também questionam a posição atribuída ao senador sobre o fim da escala 6×1 e criticam sua proposta de permitir que trabalhadores negociem diretamente com os patrões a jornada e as condições de trabalho.
Canal pró-Lula cresce para 3 milhões de seguidores

Um dos principais focos de preocupação da campanha de Flávio é o WhatsApp, em que a circulação de mensagens em grupos e canais é mais difícil de monitorar publicamente. O deputado federal André Janones (Rede-MG) criou o canal “Exército do Lula” para distribuir conteúdos favoráveis ao presidente e mobilizar apoiadores. O canal saltou de 50 mil seguidores para 3 milhões desde o primeiro turno.
Integrantes da campanha de Flávio ouvidos sob reserva pela Folha afirmaram que a preocupação com o aplicativo é maior do que com plataformas como Instagram e X, nas quais as publicações podem ser acompanhadas com mais facilidade. Um deles classificou o canal de Janones como apenas a “ponta do iceberg”.
A direita também utiliza estratégias de distribuição de conteúdos pelo WhatsApp. Na quinta-feira (8), durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio afirmou ser alvo de montagens e informações falsas e convocou apoiadores a ingressar em seu grupo, chamado “Tropa do Flávio”.
Senador pede punições e bloqueios
Na ação apresentada ao TSE, Flávio sustenta que a articulação digital dos apoiadores de Lula representa “o maior registro de abuso de poder já ocorrido na história democrática do país”. O senador quer que a Justiça Eleitoral impeça a atuação das ferramentas de colaboração entre páginas e determine a quebra de sigilo de perfis anônimos, com a identificação de seus responsáveis.