
O ex-diretor-geral da Administração Tributária André Weiss começou a receber propina em 2023, quando comandava a Diretoria de Fiscalização, e recebeu uma promoção enquanto recebia os valores. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por corrupção passiva e organização criminosa. A acusação aponta que ele recebeu cerca de R$ 4,5 milhões em propina enquanto ocupava postos de comando na Secretaria Estadual da Fazenda.
Weiss deixou a Diretoria-Geral Executiva da Administração Tributária (DEAT) em 29 de maio de 2026, mas assumiu no mesmo dia a função de assistente fiscal técnico na própria estrutura. Ele permaneceu como auditor da Fazenda até ser preso em 3 de setembro, durante a Operação Caldarium.
O auditor Paulo Sérgio Siqueira Prado, conhecido como PP e colaborador da investigação, afirmou que pagava R$ 250 mil por mês para permanecer no comando da Delegacia Regional Tributária do Butantã até se aposentar, em 2024.
A investigação aponta que Weiss recebeu o dinheiro em espécie, geralmente transportado em mochilas e entregue em encontros em restaurantes de Pinheiros, na Zona Oeste da capital. Os repasses atribuídos a Prado somariam os R$ 4,5 milhões mencionados na denúncia.

MP atribui a Weiss influência sobre a estrutura tributária
Em agosto de 2024, Weiss deixou a Diretoria de Fiscalização e passou a comandar a Coordenadoria de Fiscalização, Cobrança, Arrecadação, Inteligência de Dados e Atendimento, depois transformada na DEAT. O posto era o mais alto da Administração Tributária, abaixo apenas do subsecretário da Receita e do secretário da Fazenda.
O Ministério Público afirma que a posição dava a Weiss influência sobre diretores, delegados regionais tributários e outros servidores. Na avaliação dos investigadores, essa capacidade teria ajudado a manter pessoas em funções estratégicas e uma estrutura favorável ao grupo investigado.
Uma gravação feita em julho de 2023 pelo auditor Artur Gomes da Silva Neto, chamado de Rei Artur, integra os elementos reunidos pela investigação. Durante um almoço em que fiscais discutiam processos tributários de grandes varejistas, Weiss teria respondido “Rateio” ao ser questionado sobre o assunto de uma reunião reservada com Prado.
Os investigadores também localizaram anotações que associam quase R$ 3 milhões a quatro parcelas de R$ 747,1 mil, uma delas identificada como “WEISS”. A Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores analisará a denúncia contra Weiss, Artur Gomes da Silva Neto, Kunio Shimada e o advogado João André Buttini de Moraes; a defesa de Buttini declarou não ter acessado os autos e afirmou respeitar o sigilo do caso.