Esquerda vence na Suécia e encerra quatro anos de governo da direita

A centro-esquerda, com 49,5% dos votos, venceu as eleições parlamentares da Suécia. Encerrada a apuração nesta quinta-feira (17), o primeiro-ministro conservador Ulf Kristersson anunciou a renúncia e abriu caminho para a formação de um governo liderado pela social-democrata Magdalena Andersson.

O bloco de Andersson conquistou 176 das 349 cadeiras do Parlamento, três a mais que a aliança de direita, que recebeu 49,1% dos votos e elegeu 173 deputados. Cerca de 50 mil votos separaram os dois campos.

“Os suecos votaram por um novo rumo para o nosso país”, afirmou Andersson após a confirmação do resultado. Segundo ela, as urnas mostraram que a população quer “coesão”, e não “divisão”.

O Partido Social-Democrata, com 28,1%, terminou novamente como a maior força política da Suécia. Andersson prometeu combater deportações injustas, investir na saúde e no cuidado com os idosos, retomar o crescimento econômico, reduzir o desemprego e tratar a transição verde como uma oportunidade para o país.

“A social-democracia venceu as eleições na Suécia. Depois de quatro anos de um governo de direita com a extrema direita, os suecos voltaram a apoiar o Estado de bem-estar social, a justiça social e a agenda verde”, declarou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

A vitória também impediu que os Democratas Suecos, de extrema direita, chegassem pela primeira vez ao governo. O partido recebeu 17,5% dos votos, ante 20,5% em 2022, perdeu cadeiras e registrou seu primeiro recuo desde que entrou no Parlamento, em 2010.

A sigla, que tem origem em grupos neonazistas e supremacistas brancos, sustentou o governo Kristersson nos últimos quatro anos e esperava assumir ministérios em um eventual segundo mandato da direita. O resultado reduziu sua presença no Parlamento e sua influência na formação do próximo governo.

Kristersson comunicou sua saída ao presidente do Parlamento depois da divulgação dos números. 

“Solicito que eu seja dispensado do cargo de primeiro-ministro para permitir que esse trabalho comece imediatamente”, escreveu. Ele permanecerá interinamente no posto até a posse do novo governo.

Negociações para formar o governo

Magdalena Andersson precisará agora reunir os quatro partidos que garantiram as 176 cadeiras da centro-esquerda. O principal impasse envolve o Partido de Esquerda, com 8,1% dos votos, e o Partido do Centro, com 6,7%.

O Partido de Esquerda reivindica participação no gabinete, mas o Partido do Centro rejeita apoiar um governo que conceda ministérios à legenda. Andersson quer o apoio parlamentar da esquerda, embora tenha descartado até agora sua entrada no Executivo.

O bloco também conta com o Partido Verde, que recebeu 6,6% dos votos. Andersson afirmou que o resultado exige “uma nova era de cooperação entre os partidos políticos”. O Parlamento poderá votar o nome do novo primeiro-ministro a partir de 29 de setembro.

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