Ex-dono da Reag diz em delação que fundos ocultaram propina de Vorcaro a autoridades

João Carlos Mansur Reag
O fundador da Reag, João Carlos Mansur. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag Investimentos, afirmou em delação premiada fechada com a Procuradoria-Geral da República que fundos administrados pela gestora foram usados para ocultar pagamentos de propina feitos por Daniel Vorcaro a autoridades públicas. O acordo foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e ainda aguarda validação. Com informações da Folha de S.Paulo.

Segundo pessoas que conhecem o conteúdo da colaboração, Mansur descreveu como a Reag e seus fundos teriam participado das operações do Banco Master e apontou pessoas que atuavam como laranjas de Vorcaro. As autoridades que teriam recebido os pagamentos mencionados na delação não foram identificadas publicamente na reportagem.

O relato é um avanço em relação ao conteúdo conhecido até agora. Quando Mansur apresentou a proposta de delação à PGR, os 17 anexos eram descritos principalmente como um mapa das operações financeiras de Vorcaro. Posteriormente, ele também afirmou saber onde estariam cerca de R$ 20 bilhões atribuídos ao banqueiro, incluindo ativos registrados por meio de laranjas e fundos.

A colaboração agora fechada também detalha onde foram parar recursos enviados ao exterior e como eles poderiam ser recuperados. Segundo investigadores citados pela Folha, uma parcela relevante do dinheiro ligado ao esquema do Master está em empresas offshore. Mansur se comprometeu ainda a pagar multa de R$ 40 milhões como parte do acordo.

Banco Master Daniel Vorcaro
Pessoas saindo do prédio do Banco Master no dia de sua liquidação. Foto: Amanda Perobelli/Reuters

As suspeitas de pagamentos ilícitos envolvendo estruturas da Reag não começam com a nova delação. A Polícia Federal já apontava Mansur como suspeito de usar fundos da gestora para ocultar, por meio de imóveis, uma suposta propina destinada a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Essa é uma linha investigativa da PF e não significa que o ex-dirigente tenha sido condenado por esses fatos.

Mansur negociava uma colaboração desde o fim de 2025. As primeiras tratativas ocorreram com órgãos do Ministério Público em São Paulo e não avançaram. A negociação com a PGR começou em fevereiro e foi concluída em agosto. A PF participou da fase inicial das conversas mais recentes, mas deixou as tratativas antes do fechamento.

A delação de Mansur se soma à colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, apontado como operador financeiro próximo a Vorcaro e responsável por remessas que chegaram ao circuito de financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Investigadores avaliam que os dois acordos reduzem o espaço para uma eventual nova proposta de colaboração do próprio Vorcaro. A defesa do banqueiro afirma que não teve acesso aos anexos de Mansur e, por isso, não pode se manifestar sobre as acusações.

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