Esquerda supera direita em engajamento nas redes

Os influenciadores de esquerda superaram os de direita em engajamento nas redes sociais da Meta pela primeira vez em 2026, na primeira semana da campanha do segundo turno presidencial.

Segundo levantamento da empresa de análise Bites, publicado pelo jornal O Globo, as interações com perfis de esquerda cresceram 783% entre 4 e 11 de outubro, enquanto as da direita avançaram 162%.

No Instagram, a diferença foi ainda maior: o engajamento dos perfis de esquerda aumentou 1.195%, contra 241% dos perfis de direita. O levantamento acompanha interações orgânicas públicas — curtidas, comentários e compartilhamentos — e não mede o alcance total das publicações ou o número de impressões, dados que não são integralmente públicos.

Em números absolutos, os perfis de esquerda somaram 49 milhões de interações na semana posterior ao primeiro turno, diante de 45 milhões dos perfis de direita. Foi a única semana da série analisada em que o primeiro grupo ultrapassou o segundo.

A diferença contrasta com os períodos anteriores. Na pré-campanha, entre 1º de junho e 15 de agosto, os perfis de direita registravam 11 milhões de interações semanais, contra 4,6 milhões da esquerda. Durante o primeiro turno, de 16 de agosto a 3 de outubro, os números subiram para 25 milhões e 11,5 milhões, respectivamente.

Engajamento concentrado em poucos perfis

O crescimento das interações foi concentrado em um pequeno grupo de influenciadores. Entre os perfis de esquerda monitorados, o deputado federal André Janones respondeu por 33% das interações no segundo turno, seguido pela deputada Erika Hilton, com 29%, e pelo comunicador Jones Manoel, com 15%.

Janones registrou 24,7 milhões de interações no período, enquanto Erika Hilton alcançou 21,6 milhões. Juntos, os três perfis concentraram 76% do engajamento atribuído à esquerda no levantamento.

Na direita, o deputado federal Nikolas Ferreira respondeu sozinho por 49% das interações do grupo, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

A Bites analisou 13 perfis associados à direita e nove à esquerda. Portanto, os resultados descrevem o comportamento do conjunto selecionado pela empresa, e não necessariamente o desempenho de todos os influenciadores ou usuários de cada campo político.

Lula também cresce nas redes

A expansão do engajamento também apareceu nos perfis dos candidatos à Presidência. De acordo com os dados da Bites, Lula teve crescimento de 298% nas interações em suas contas nas redes da Meta, no TikTok e no X, na primeira semana do segundo turno. Flávio Bolsonaro (PL) registrou alta de 110%.

No Instagram, o crescimento foi de 1.789% para Lula e de 694% para Flávio. Os números refletem a variação das interações no período analisado, e não necessariamente o alcance total das publicações ou a quantidade de eleitores mobilizados.

A estratégia de publicação também diferiu entre os candidatos. Lula ampliou o volume de posts semanais de 110 para 300 ainda durante o primeiro turno. Flávio manteve o ritmo de publicações e, após a primeira votação, reduziu a frequência para 56 posts por semana. Segundo o levantamento, Lula ultrapassou Flávio em número de interações na semana de 31 de agosto e permaneceu à frente até o fim da série analisada.

Regras eleitorais e mudança de estratégia

O levantamento também identificou uma queda no engajamento dos perfis monitorados durante o primeiro turno: 17% entre os nomes de esquerda e 35% entre os de direita. A Bites considerou os resultados um empate, apesar da diferença numérica entre as variações.

O recuo está parcialmente relacionado às regras eleitorais aplicáveis à distribuição algorítmica de conteúdos de candidatos durante a campanha. Com a restrição às recomendações automáticas, publicações políticas teriam perdido oportunidades de aparecer para usuários que ainda não seguiam os perfis.

Com o início do segundo turno, o engajamento voltou a crescer. A mudança, porém, não permite concluir, isoladamente, que houve alteração deliberada dos algoritmos para favorecer um dos campos políticos.

A disputa digital ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da Meta, responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp. A campanha de Lula (PT) denunciou problemas que teriam prejudicado a distribuição de seus conteúdos e o funcionamento de ferramentas de anúncios. A empresa atribuiu os episódios a falhas técnicas e negou interferência política.

Em 16 de outubro, a Meta afirmou que não toma partido em eleições e que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdos com base em ideologia política. A empresa também reconheceu incidentes técnicos envolvendo ferramentas de anúncios e inteligência artificial.

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