
O Bolsa Família concentrou 95% da redução do trabalho infantil registrada no Brasil entre 2024 e 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (16). O número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos nessa situação caiu em 144 mil nos domicílios beneficiados pelo programa.
No país, o contingente total em trabalho infantil diminuiu em 151 mil pessoas no período. A pesquisa Pnad Contínua: Trabalho de Crianças e Adolescentes de 5 a 17 anos mostra que 1,499 milhão ainda trabalhavam em 2025, uma queda de 9,2% frente ao ano anterior.
Entre os lares que recebiam Bolsa Família, o número passou de 717 mil em 2024 para 573 mil em 2025, redução de 20,1%. O grupo reunia 13,1 milhões de crianças e adolescentes, ou 34,7% da população brasileira nessa faixa etária.
O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes afirmou que a garantia de renda e as exigências do programa podem ter contribuído para o resultado. “A gente sabe que o Bolsa Família tem condicionalidades, por exemplo, em relação à frequência escolar, que pode ser um fator que contribui para essa queda importante, entre outras políticas públicas”, disse.

Diferença entre beneficiários e média nacional diminui
Em 2025, 4,4% das crianças e adolescentes que viviam em domicílios atendidos pelo Bolsa Família estavam em trabalho infantil. O percentual permanecia acima da taxa de 4% observada no conjunto da população de 5 a 17 anos, mas a distância entre os indicadores encolheu.
Em 2016, 7,3% das crianças e adolescentes de famílias beneficiárias trabalhavam, contra 5,2% da média nacional. A diferença caiu de 2,1 pontos percentuais para 0,4 ponto em 2025, enquanto o total de pessoas em trabalho infantil nos domicílios com o benefício recuou 41%, de 971 mil para 573 mil.
A frequência escolar entre trabalhadores infantis de famílias que recebiam o programa chegou a 89,8%, acima dos 86,9% registrados no total de crianças e adolescentes nessa condição. O rendimento mensal médio por pessoa nesses domicílios era de R$ 660, ante R$ 1.990 nas famílias com moradores da mesma idade que não recebiam Bolsa Família.
A pesquisadora Janaína Feijó, da FGV Ibre, avaliou que o reforço de renda diminui a pressão para adolescentes buscarem ocupação precoce. A procuradora do Trabalho Luísa Carvalho Rodrigues defendeu a continuidade do financiamento de políticas de transferência de renda e ações voltadas aos grupos e territórios mais atingidos.