Como jovens tentam furar a bolha e conquistar votos para Lula no segundo turno

Largo da Batata Lula
Apoiadores do presidente Lula (PT) em ato no Largo da Batata (SP). Foto: Allison Salles/Folhapress

Jovens apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram a campanha pelo segundo turno com ações em universidades, redes sociais, transporte público, escolas e atos de rua. Em entrevistas ao g1, eles relataram estratégias para conquistar indecisos, virar votos e reduzir a abstenção na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL).

Isadora de Oliveira, de 24 anos, ajudou a organizar um ato pró-Lula que, segundo a reportagem, reuniu cerca de 60 mil pessoas em Brasília, em 13 de outubro. “A gente quer ocupar faculdades, ônibus, metrô e conversar com as pessoas para mostrar que o futuro que a gente precisa não cabe no projeto da extrema-direita nem no de Flávio Bolsonaro, mas que será construído por nós, a partir da luta dos estudantes”, afirmou.

Daniella Dutra, de 21 anos, tornou público seu perfil nas redes sociais durante o segundo turno para falar sobre política e alcançar pessoas fora de seu círculo habitual. Ela aumentou a frequência das publicações e passou a interagir com eleitores de outros estados. “A gente tem que também saber falar com as pessoas de fora”, disse.

Bruna Lima, de 20 anos, participa de banquinhas vira-voto em pontos de ônibus e universidades. “A gente está indo sempre para olhar olho no olho do trabalhador e falar: por que você votou no Flávio Bolsonaro? Ou então por que você não saiu de casa para votar? E dar argumentos, debater, trazer fatos, trazer a história para que a gente consiga, de fato, fazer essa virada”, declarou.

Lula
O presidente Lula (PT). Foto: Adriano Machado/Reuters

A estudante Maria Clara Lobão, de 16 anos, iniciou debates em sua escola, embora o voto seja facultativo para sua faixa etária. Ela relatou que colegas passaram a rever posições políticas antes influenciadas pela opinião dos pais e começaram a pesquisar por conta própria.

Para a cientista política Marcela Machado, da Universidade de Brasília (UnB), o segundo turno costuma ampliar o engajamento dos jovens porque aumenta a necessidade de se posicionar. Segundo ela, estudantes que discutem política e produzem conteúdo em seus círculos levam as mensagens a pessoas que não acompanham o horário eleitoral nem seguem os candidatos.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pelo g1 mostram que 19,2 milhões de brasileiros de 16 a 24 anos estavam aptos a votar no primeiro turno de 2026, ante 21,4 milhões em 2022. O comparecimento também caiu: 14,9 milhões de jovens foram às urnas neste ano, contra 16,9 milhões na eleição presidencial anterior.

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