A influência do crime organizado na política do Rio de Janeiro foi um dos temas abordados pela TV GGN 20 horas nesta sexta-feira (16/10), quando se discutiu a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (PL), aliado do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
Na ocasião, a deputada federal reeleita Jandira Feghali (PcdoB) lembrou que milícias podem interferir na participação eleitoral por meio da intimidação e do controle territorial – tanto que existem regiões onde que o domínio de grupos criminosos dificulta a entrada de candidatos e a realização de debates públicos.
A parlamentar descreveu a população dessas áreas como submetida à pressão tanto de organizações criminosas quanto de setores da própria estrutura policial, ao mesmo tempo em que lembrou a expansão das atividades econômicas das milícias para além do tráfico de drogas, citando serviços como internet, fornecimento de gás, transporte e construção civil.
Na avaliação dela, combater essas organizações exige atingir suas fontes de financiamento e recuperar a capacidade de atuação do poder público.
As declarações sobre vínculos entre agentes políticos e grupos criminosos precisam ser examinadas à luz de investigações e documentos específicos. A deputada, durante a conversa, mencionou a proximidade pública entre Flávio Bolsonaro e Canella e criticou o campo político ao qual ambos estão associados.
A deputada federal também lamentou o desfecho da disputa pelo governo do Rio de Janeiro, que, em sua avaliação, representou a perda de uma oportunidade de alterar a política de segurança e ampliar investimentos em saúde, educação e desenvolvimento.
Mobilização nas ruas e participação eleitoral
Ao comentar as manifestações realizadas em diferentes cidades, Jandira avaliou que a presença de estudantes, trabalhadores e famílias nas ruas poderia ampliar o engajamento político e estimular a participação eleitoral. Segundo ela, a campanha vinha promovendo atividades descentralizadas, incluindo conversas com moradores, distribuição de materiais e ações em regiões com histórico de abstenção.
A deputada também chamou a atenção para os eleitores com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo, e defendeu que sejam esclarecidas as condições para participação no segundo turno. Durante a entrevista, afirmou que o comparecimento às urnas poderia substituir a necessidade de realizar a prova de vida para determinados beneficiários.
Esse ponto exige uma ressalva: as regras da prova de vida dependem da situação do beneficiário e dos procedimentos do órgão responsável. A afirmação não deve ser generalizada sem confirmação junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e à Justiça Eleitoral.
Jandira relacionou a mobilização eleitoral à defesa de direitos sociais e trabalhistas. No início da entrevista, destacou a participação do presidente Lula na solenidade de promulgação do fim da escala 6×1, realizada naquele dia, e contrastou a posição do governo com a atuação política de seus adversários.
A deputada também alertou para possíveis cortes de gastos e mudanças nas regras previdenciárias que, segundo ela, poderiam prejudicar trabalhadores e aposentados. As consequências dessas propostas dependem do conteúdo efetivo dos programas e das medidas que venham a ser apresentadas.
Ao longo da conversa, Jandira sustentou que a disputa eleitoral envolve não apenas projetos de governo, mas também o funcionamento das instituições, o poder das empresas de tecnologia e as condições para a participação política da população.
Veja mais a respeito do tema na íntegra da entrevista concedida pela deputada Jandira Feghali ao programa TV GGN 20 horas desta sexta-feira.