Escala 6×1: relator mantém texto da Câmara e PEC vai à CCJ do Senado

Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta apertam as mãos no Palácio da Alvorada
Protesto contra a escala 6×1. Foto: Reprodução

O senador Omar Aziz (PSD-AM) manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados para acabar com a escala 6×1 e entregou, nesta quinta-feira (27), seu relatório sobre a proposta. Com a decisão do relator, a PEC fica pronta para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima quarta (2).

Aziz recusou as emendas apresentadas pela oposição, evitando que a matéria volte à Câmara. Uma alteração feita pelos senadores exigiria nova análise dos deputados e reduziria as chances de promulgação antes da eleição de outubro.

O Congresso terá mais uma semana de funcionamento, entre 31 de agosto e 4 de setembro, antes do pleito. O governo do presidente Lula tenta acelerar a tramitação da proposta, que integra sua agenda de reeleição.

A oposição apresentou 14 emendas ao texto que a Câmara aprovou em maio. A maior parte das sugestões buscava ampliar o período de transição ou excluir trabalhadores submetidos à escala de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso dos efeitos da mudança.

Emendas buscavam manter jornada de 44 horas semanais

Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta durante encontro no Palácio da Alvorada
Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta após almoço no Palácio da Alvorada. Foto: Reprodução

Uma das emendas partiu do senador Izalci Lucas (PL-DF). Ele propôs preservar na Constituição a jornada de 44 horas semanais e deixar uma possível redução para negociações coletivas ou contratos por hora.

O modelo defendido por Izalci se aproxima da posição apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a campanha presidencial. O relatório de Aziz, porém, preservou integralmente a versão aprovada pelos deputados.

O avanço da PEC ocorreu após Lula se reunir, na noite desta quarta-feira (26), com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ao posar com os dois após o encontro, Lula disse que poderia falar: “juntos para sempre”.

A aprovação na CCJ não assegura que a proposta seguirá imediatamente ao plenário do Senado. Lula e Alcolumbre retomaram o diálogo após meses de tensão, período em que o presidente do Senado impôs derrotas ao governo, entre elas a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. Aliados afirmam que uma nova reunião entre os dois pode ocorrer nesta semana, enquanto a cúpula bolsonarista trabalha pela eleição de Tereza Cristina (PP-MS) para comandar o Senado em 2027.

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