
Na última quarta-feira (26), o candidato à Presidência Renan Santos foi entrevistado em uma sabatina do Jornal Nacional, na TV Globo. O que era de se esperar aconteceu.
O fundador do MBL defendeu uma versão mais palatável do lema “prendeu, matou”, mas ainda prometeu um “banho de sangue” seguindo os moldes de El Salvador. Também defendeu que o Brasil crie uma bomba atômica e, de forma quase cômica, resumiu a economia brasileira ao futebol, como se fosse tudo tão simples assim.
A graça disso tudo é que a Globo escolheu uma abordagem mais mansa diante do candidato do Missão. Diferentemente do que vimos com Zema e Caiado, Renan Santos recebeu perguntas relativamente livres de suas principais polêmicas. O único momento em que foi realmente pego de calças curtas ocorreu quando foi questionado sobre Orlando Lima, que defende retirar o direito ao voto de pessoas que recebem determinados benefícios sociais e também questiona o sufrágio universal. As ideias aparecem no Livro Amarelo, base programática do Missão, embora Renan já tenha afirmado que esse trecho apresenta “discussões e especulações”, e não uma proposta do partido.
🚨 ATENÇÃO: Renan Santos quer o fim da CLT e seus direitos, fim da Justiça do Trabalho e a manutenção da escala 6×1!
– O candidato, que acumula 45 processos trabalhistas em sua empresa, prometeu “soterrar esse projeto maldito do fim da 6×1”.
É a tchuchuca da Faria Lima! pic.twitter.com/YAe5ZIJoQ3
— Análise Política (@analise2025) August 19, 2026
Fora isso, a Globo escolheu não perguntar a Renan sobre sua declaração de que a CLT “já era” e sua defesa do fim da Justiça do Trabalho. Também não abordou o antigo episódio em que ele, em uma gravação com integrantes do MBL, disse que uma amiga seria estuprada caso o grupo fosse impedido de entrar em um bar. Nem quis encostar no âmago do papel desempenhado pelo MBL na eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
A Globo sentou em cima do muro nessa sabatina. Partiu para o ataque com Zema e, com Caiado, mesmo tentando, teve de ser dura. Com Renan, porém, parecia que a entrevista era conduzida pelo próprio candidato, com os entrevistadores na coleira.
O problema é que, no fim das contas, a Globo ajudou Renan a se destacar. Nas redes, há uma reação positiva em torno do nome do candidato. Pessoas que não necessariamente votariam nele passaram a concordar com alguns de seus argumentos, enquanto outras chegaram a declarar que mudaram de voto — mesmo que o voto anterior também não fosse lá grande coisa.
No fim, sempre que convém, a Globo se alia ao fascismo.