
O ex-deputado estadual Arthur do Val ironizou a avó ucraniana de Natália Boulos (PSOL), candidata a deputada federal em São Paulo e esposa de Guilherme Boulos, durante um debate no podcast Inteligência LTDA nesta quarta (27). Ao ouvir o relato sobre a familiar, capturada na Segunda Guerra Mundial e submetida a trabalhos forçados, ele respondeu: “Apresenta para nós”.
Natália associou a provocação aos áudios sobre refugiadas ucranianas que levaram à cassação do mandato de Arthur em 2022. “Não é sobre solidariedade. Ele falou ‘apresenta para nós’. Isso é misoginia”, afirmou a candidata durante a discussão.
O debate teve novas interrupções e trocas de acusações. Natália chamou Arthur de mau-caráter e afirmou que atitudes como a do ex-deputado não deveriam ser tratadas apenas como liberdade de expressão.
O programa, conduzido pelo humorista Rogério Vilela, durou cerca de duas horas e meia. Felipe Sestaro, militante de direita e apresentador do Iron Talks, e Leonardo Grandini, advogado e candidato a deputado estadual pelo PT, também participaram da conversa, que abordou segurança pública, criminalização da misoginia e anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.
Natália Boulos: "Sou neta de ucraniana."
Arthur do Val (Mamãe Falei): "Apresenta pra nós." pic.twitter.com/TB1Y0f5zEs
— Allan dos Panos (@allandospanos) August 27, 2026
Áudios sobre refugiadas levaram à cassação de Arthur do Val
Natália retomou o caso de março de 2022, quando Arthur, então deputado estadual, viajou à Ucrânia no início da invasão russa. Áudios enviados por ele a um grupo privado de WhatsApp vieram a público durante a viagem.
Em uma das mensagens, Arthur afirmou que as refugiadas ucranianas eram “fáceis porque são pobres”. Em outra, disse haver apenas “deusas” em uma fila de mulheres que deixavam o país pela fronteira com a Eslováquia e comparou as refugiadas a frequentadoras das melhores baladas brasileiras.
Naquele período, ele era pré-candidato ao governo paulista pelo Podemos. Após a repercussão, desistiu da candidatura, deixou o partido e se afastou do MBL.
Em maio de 2022, os 73 deputados estaduais da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) aprovaram por unanimidade a cassação por quebra de decoro, mesmo após a renúncia de Arthur semanas antes. A defesa classificou a punição como desproporcional, enquanto o ex-deputado chamou o processo de perseguição política. Inelegível até 2030, ele tentou neste ano reverter a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido por considerar inadequada a via jurídica usada pela defesa.