
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma peça para responder a eventuais ataques sobre “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A equipe também orienta o candidato a dar respostas curtas sobre temas sensíveis nas entrevistas e sabatinas da eleição de 2026, segundo o jornal O Globo.
Flávio passará esta quinta (27) em Brasília, sem agenda pública, para se preparar para a sabatina do Jornal Nacional marcada para sexta (28). Auxiliares tratam como inevitável que o financiamento do filme entre na conversa e reservam parte do treinamento para revisar as respostas do senador.
O protocolo elaborado por estrategistas prevê que Flávio responda objetivamente e, em seguida, desloque o discurso para ataques ao presidente Lula. A orientação vale para o “Dark Horse” e para outros assuntos que a campanha considera espinhosos.
Há cerca de duas semanas, o senador vem treinando para entrevistas de maior audiência. A equipe quer evitar respostas longas que possam abrir novas frentes de cobrança sobre o longa, tema que o candidato passou a classificar como encerrado.

Financiamento do filme e investigação da Polícia Federal
Em maio, o site Intercept Brasil divulgou mensagens entre Flávio e Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, nas quais o senador buscava recursos para a produção sobre o pai. As negociações mencionaram R$ 134 milhões, e R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
Parte dos recursos circulou por uma empresa ligada a Vorcaro e pelo Havengate, fundo sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal investiga se verbas relacionadas ao projeto custearam despesas de Eduardo nos Estados Unidos, sem conclusão que aponte que isso ocorreu.
Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a PF a acessar provas recolhidas pela Polícia Civil de São Paulo em investigação envolvendo a Go Up Entertainment, produtora do filme. O compartilhamento integra uma apuração sobre a destinação de emendas parlamentares.
A Go Up entregou à Polícia Civil uma perícia privada contratada pela defesa de sua proprietária, Karina Ferreira da Gama. O documento estimou gastos de cerca de R$ 75,2 milhões com o longa e afirmou não ter identificado uso de recursos públicos, emendas parlamentares ou verbas da Lei Rouanet na produção.
A Europa Filmes, distribuidora de “Dark Horse”, prevê lançar a obra apenas depois das eleições. O diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa, disse que a decisão de evitar o período eleitoral partiu dele e negou pedido de Flávio ou de pessoas ligadas ao candidato.