Einstein afasta médico anunciado por Flávio Bolsonaro para eventual Ministério da Saúde

Lottenberg
O médico, Cláudio Lottenberg. Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress

Cláudio Lottenberg, escolhido por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para assumir o Ministério da Saúde caso o senador seja eleito presidente, entrou nesta terça-feira (1º) em licença de suas atribuições de governança no Hospital Israelita Albert Einstein. O afastamento temporário vai durar até o fim do período eleitoral. Segundo a Folha de S.Paulo, a instituição informou que a medida está alinhada a seu código de ética.

Em nota, o Einstein afirmou que suas regras internas exigem “absoluta neutralidade política” e vedam o uso de bens e recursos da instituição para fins políticos. Lottenberg preside o Conselho Deliberativo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e deixa temporariamente as funções relacionadas à governança, sem que tenha sido anunciada sua saída definitiva do posto.

Flávio Bolsonaro anunciou o nome do médico durante sua sabatina na TV Globo na última sexta-feira (28). O candidato disse que Lottenberg havia aceitado o convite para comandar a Saúde em um eventual governo. Após o anúncio, o médico afirmou ter recebido a proposta “com gratidão e espírito de serviço” e disse que pretende trabalhar por um sistema de saúde mais humano e eficiente.

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Charles Vieira

O oftalmologista também preside a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e já foi secretário municipal da Saúde de São Paulo na gestão de José Serra. Sua adesão à candidatura de Flávio Bolsonaro provocou reação de integrantes da comunidade judaica: um grupo antecipou a divulgação de um manifesto de apoio à reeleição do presidente Lula (PT), que já reunia mais de mil assinaturas. Os signatários afirmam que Lottenberg não representa a comunidade judaica em seu apoio ao bolsonarismo.

A escolha também expôs uma divergência entre Lottenberg e a família Bolsonaro sobre a pandemia de Covid-19. O médico criticou em 2021 a falta de coordenação nacional no governo Jair Bolsonaro e apontou a ausência de uma orientação unificada sobre medidas de prevenção. No último sábado (29), Flávio Bolsonaro minimizou as críticas e afirmou que ainda não sabe exatamente onde o governo do pai errou durante a pandemia.

Lottenberg, por sua vez, disse ao aceitar o convite que sua atuação não teria “espírito de disputa” e ressaltou a importância do Sistema Único de Saúde. A licença no Einstein vale até o encerramento do período eleitoral; a instituição não anunciou mudança definitiva na presidência de seu Conselho Deliberativo.

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