
Uma foto apresentada nas redes sociais como registro de uma trabalhadora limpando pichações após o ato de Lula (PT) na avenida Paulista, no domingo (11), foi manipulada com inteligência artificial. A imagem original mostra apenas os vidros pichados da estação Trianon-Masp, sem a mulher retratada na montagem. Com informações do Fato ou Fake, do g1.
O material circulou no X, Instagram, Facebook e Threads acompanhado de legendas que associavam a suposta cena de limpeza à manifestação pró-Lula. As publicações apresentavam a mulher como funcionária do Metrô e omitiam que sua presença na fotografia havia sido criada artificialmente.
A equipe de checagem localizou o registro original por meio de uma busca reversa no Google Lens. A fotografia havia sido publicada pelo site Metrô CPTM e exibia as mesmas pichações, com frases como “Bolsonaro Fascista”, “Cabeças vão rolar” e “Não passarão”, mas nenhuma pessoa trabalhando no local.

A ferramenta SynthID identificou alterações por IA justamente na área em que aparece a trabalhadora. Outras duas ferramentas, Hive Moderation e SightEngine, também apontaram indícios de geração artificial. Esses resultados reforçam a comparação com a fotografia original, na qual a mulher não aparece.
As pichações na estação são reais e foram registradas após a manifestação. A falsificação está na inserção da trabalhadora e na apresentação da montagem como uma fotografia documental da limpeza, não na existência das mensagens escritas nos vidros.
Outro conteúdo usado para atacar o mesmo ato foi um vídeo da Marcha para Exu apresentado falsamente como “invocação a Satanás” na manifestação pró-Lula. Nesse caso, as imagens foram gravadas em 16 de agosto, também na Paulista, durante um evento de religiões de matriz africana.