
O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) voltou a protagonizar uma cena de intimidação durante um ato de campanha em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Um vídeo gravado na Avenida Alberto Andaló mostra o parlamentar partindo para cima de um motociclista que havia parado para questioná-lo sobre uma abordagem anterior a outro homem. Bilynskyj se aproxima do veículo, inclina o corpo sobre o guidão e leva o rosto a poucos centímetros do cidadão.
“Eu ouvi o que o senhor falou com o rapaz ali…”, começa o motociclista. Bilynskyj reage aos gritos: “Cambada de vagabundo! Quem que é vagabundo?”. O homem pede calma e tenta afastar a discussão com a mão espalmada, mas o deputado permanece junto ao veículo e continua provocando. “Para o quê?”, pergunta, enquanto continua tentando intimidar o motociclista.
A cena repete um padrão de confronto físico e verbal que já levou o parlamentar ao Conselho de Ética. Em agosto de 2025, Bilynskyj agarrou pelo pescoço o jornalista Guga Noblat durante uma discussão na Câmara. O episódio ocorreu após o repórter questioná-lo e fazer referência a seu histórico de controvérsias. PT, PSOL e PSB apresentaram posteriormente uma representação contra o deputado que incluiu a agressão física ao jornalista entre as acusações de quebra de decoro.
paulo bilynskyj esta morando na minha cidade Rio Preto, ninguém na cidade suporta esse cara, nem a própria direita, olha como ele trata o rio pretense quando escuta uma verdade, está ameaçando um idoso no semáforo! pic.twitter.com/iJJk5yqMOv
— Jeferson PG (@Jefersondspg) September 24, 2026
O histórico de Bilynskyj também inclui episódios envolvendo violência política contra mulheres. Em maio de 2025, a Secretaria da Mulher da Câmara divulgou nota de solidariedade a Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e classificou como “ameaça explícita” uma fala do deputado contra ela durante uma sessão da Comissão de Cultura. O órgão afirmou que o episódio configurava grave violação ao decoro e citou a legislação de combate à violência política contra a mulher.
Antes de chegar ao Congresso, Bilynskyj também acumulou problemas disciplinares na Polícia Civil paulista. O Conselho da corporação chegou a recomendar sua demissão após um processo envolvendo a divulgação de uma peça publicitária considerada racista e associada à apologia ao estupro. A Polícia Civil ainda aguardava anos depois a conclusão administrativa da demissão. O parlamentar atribuiu as punições e apurações a perseguição política.
Agora candidato à reeleição, Bilynskyj faz campanha no interior paulista apresentando-se como representante da segurança pública e aliado de Jair Bolsonaro. A cena em Rio Preto mostra o deputado novamente abandonando qualquer distância institucional diante de uma provocação de rua: ao ser interpelado por um cidadão, aproxima-se fisicamente, eleva o tom e transforma a discussão em um confronto a poucos centímetros do rosto do motociclista.