
Perfis de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) mobilizaram redes sociais para identificar e expor brasileiros que vivem no exterior e votaram no presidente Lula (PT) no primeiro turno das eleições de 2026. A ofensiva incluiu divulgação de dados pessoais, tentativas de localizar residência e emprego e ameaças de denúncias a autoridades migratórias.
As publicações atingiram brasileiros na Coreia do Sul, no Japão, na Bélgica e na Polônia durante e depois da votação de domingo (04). Não há evidências de que a campanha de Flávio Bolsonaro tenha coordenado as ações.
Na Polônia, duas brasileiras viraram alvo após imagens em que demonstravam apoio a Lula circularem em perfis estrangeiros. O eurodeputado polonês Dominik Tarczyński, aliado da família Bolsonaro, pediu ajuda para identificá-las e defendeu que elas fossem deportadas.
As brasileiras procuraram a embaixada do Brasil em Varsóvia. O Itamaraty afirmou que a representação diplomática se colocou à disposição para oferecer assistência consular, caso elas solicitem o atendimento.
Campanha incentivou denúncias contra brasileiros no exterior

No dia da votação, um usuário do X lançou a campanha “De volta para minha terra”, com um chamado para que brasileiros fora do país denunciassem compatriotas que teriam votado em Lula. A conta é associada à “Bolha da Resenha”, rede de perfis anônimos ligada a ataques virtuais, misoginia e divulgação de conteúdo falso e extremista.
Outros usuários aderiram à iniciativa. Um deles defendeu a busca por endereços e locais de trabalho de eleitores do PT para alertar empregadores, vizinhos e autoridades; na Coreia do Sul, um perfil divulgou informações capazes de identificar uma brasileira e a imagem de um aparente documento pessoal.
No Japão, uma conta afirmou ter denunciado eleitores de Lula ao Comitê Nacional de Segurança Pública e citou a possibilidade de acionar autoridades migratórias. Na Bélgica, uma publicação sobre uma brasileira apoiadora do presidente foi enviada ao responsável pela campanha, ampliando a busca por informações sobre ela.
Tarczyński escreveu no Instagram que cuidaria das brasileiras e declarou: “Vou cuidar delas. Sejam como a Polônia”. Em outra postagem, afirmou que ajudaria uma delas a fazer as malas antes da deportação, embora as imagens divulgadas mostrem apenas apoio a Lula e símbolos do PT, sem evidências de defesa de regimes totalitários.