A revista Veja entrou no centro de uma controvérsia política após publicar reportagem que associou o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação afirmou que o banqueiro teria destinado R$ 30 milhões ao filme dirigido por Oliver Stone com a expectativa de obter vantagens em negócios com o governo.
A versão, porém, foi contestada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Segundo as autoridades, Vorcaro não prestou depoimento formal com as declarações atribuídas a ele sobre o documentário e não foram encontrados elementos que comprovassem o suposto pagamento. A defesa do banqueiro também questionou a autenticidade do áudio utilizado pela revista.
A discussão foi ampliada por artigo publicado na revista Piauí por João Moreira Salles, que relatou um jantar realizado em 27 de agosto com o senador Flávio Bolsonaro e empresários brasileiros.O texto mencionou Fábio Carvalho, chairman e publisher da Editora Abril, responsável pela Veja, entre os participantes.
O caso ganhou dimensão política porque a reportagem foi publicada em meio à disputa eleitoral e passou a ser explorada por setores bolsonaristas para atingir Lula. A própria trajetória do episódio levantou questionamentos sobre as relações entre empresários, políticos e veículos de comunicação.
Jantar com Flávio Bolsonaro
A presença do executivo de Veja, entretanto, foi posteriormente contestada pela própria empresa, que afirmou que Carvalho estava fora de São Paulo na data e apresentou registros de viagem para sustentar a versão.
O episódio colocou em evidência a proximidade entre setores do empresariado e o campo político bolsonarista, especialmente em um momento de forte polarização eleitoral.
O caso Vorcaro
Na reportagem publicada em 9 de outubro, Veja afirmou que Vorcaro teria relatado o pagamento de R$ 30 milhões para o documentário sobre Lula e que o investimento estaria relacionado à busca por negócios envolvendo recursos de fundos de pensão.
A narrativa foi confrontada por informações da investigação. A PF não encontrou, no celular apreendido de Vorcaro, documentos que comprovassem o suposto patrocínio. O material apreendido continha referências a outros projetos audiovisuais ligados a políticos, enquanto a menção ao filme sobre Lula apareceu de forma indireta em uma proposta de colaboração premiada.
As propostas de delação apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pelas autoridades por falta de elementos considerados relevantes para sustentar novas acusações.
Disputa política
O episódio ocorre em um ambiente eleitoral no qual Lula aparece como principal adversário de nomes ligados ao bolsonarismo. A controvérsia também recoloca em debate o papel da imprensa na cobertura eleitoral. No caso da Veja, a reportagem sobre Vorcaro passou a ser questionada justamente pela ausência de comprovação documental para uma das principais afirmações atribuídas ao banqueiro.