
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou neste sábado (10) que recorrerá à Justiça Eleitoral contra a Meta, empresa de Mark Zuckerberg que controla Instagram, Facebook e WhatsApp. O partido acusa a companhia de interferir na eleição depois de um novo impedimento para impulsionar publicações do presidente no Instagram.
Segundo o PT, o impedimento começou na sexta-feira (9) e durou até a manhã de sábado, atingindo publicações do feed. Durante esse período, a campanha ficou sem pagar para ampliar a distribuição desses conteúdos. Em nota, o secretário de comunicação do partido, Éden Valadares, afirmou que as contas ligadas a Lula enfrentam problemas apresentados como técnicos desde dezembro de 2025.
A Meta alegou que a falha atingiu outros anunciantes e mercados. Éden cobrou comprovação: a empresa “não trouxe qualquer evidência disso, muito menos de que esse problema tenha afetado também outros candidatos no Brasil”.
Na sexta-feira (9), a Meta já havia reconhecido uma falha nas métricas dos vídeos do Instagram após uma cobrança da campanha de Lula. O PT apontou, entre os problemas, um vídeo do presidente com mais curtidas do que visualizações exibidas. A empresa admitiu a instabilidade na contagem, mas não detalhou sua dimensão nem se ela afetou a distribuição das publicações.
O ex-ministro da Educação Camilo Santana, que passou a integrar a coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusou neste sábado (10/10) a Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, de provocar um desequilíbrio na disputa… pic.twitter.com/DbDAZkr8Qj
— Correio Braziliense (@correio) October 10, 2026
Os episódios se somam à suspensão temporária de novos anúncios de Lula no Facebook, em 23 de setembro, posteriormente revertida. Na mesma data, a Meta restaurou o perfil da série “Revelando Brasil”, apresentada por Fábio Porchat, que divulgava um episódio sobre Banco Master e Igreja Batista da Lagoinha, com menções ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A companhia pediu desculpas, mas não explicou qual regra havia provocado a retirada dessa conta.
Zuckerberg, por sua vez, estreitou os laços com Donald Trump depois da vitória do republicano em 2024. A Meta doou US$ 1 milhão ao comitê de sua posse e, em janeiro de 2025, levou Dana White, presidente do UFC e aliado de Trump, ao conselho de administração. O empresário também jantou com Trump em Mar-a-Lago, em novembro de 2024.
Na mesma guinada, Zuckerberg anunciou o fim da checagem por terceiros nos Estados Unidos, apresentando a mudança como uma defesa da liberdade de expressão. Trump elogiou o anúncio como uma “apresentação excelente”. A retórica de liberdade contrasta com as suspensões de contas que a plataforma depois reverteu no Brasil e com o novo impedimento denunciado pela campanha de Lula.
O ex-ministro Camilo Santana, novo coordenador da campanha de Lula, afirmou que o bloqueio “causa um desequilíbrio numa eleição tão apertada, praticamente num empate técnico”. Além da Justiça Eleitoral, anunciou que o partido recorrerá à Agência Nacional de Proteção de Dados.