Ciro não aceita derrota no Ceará, anuncia ida à Justiça e diz: “Fomos roubados pelo PT”

Ciro Gomes
O candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

Ciro Gomes (PSDB) reagiu à derrota na eleição para o governo do Ceará com acusações contra o PT, ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o anúncio de uma contestação judicial. Em um “Manifesto ao povo cearense” publicado nesta terça-feira (6), o ex-ministro afirmou que a eleição foi tomada pelos adversários. No domingo (4), Elmano de Freitas (PT) foi reeleito no primeiro turno com 53,19% dos votos válidos, contra 46,22% de Ciro.

“Não cumprimentei o candidato vitorioso. Ele não ganhou, ele e sua organização criminosa tomaram as eleições!”, escreveu Ciro. Em seguida, apresentou sua sensação de derrota como suspeita de roubo: “Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados”.

O tucano afirmou ter concordado com uma reclamação à Justiça após consultar os advogados da campanha, mas desqualificou a própria instituição à qual pretende recorrer. “Digo logo que não acredito nela neste país apodrecido”, declarou. O manifesto anuncia a iniciativa judicial, sem identificar o processo ou apresentar uma decisão que altere o resultado eleitoral.

O principal alvo de Ciro foi o ministro Dias Toffoli, a quem atribuiu a responsabilidade pela “fraude final contra nós”. O candidato derrotado alegou que o magistrado autorizou mais de 900 comerciais de Elmano com Lula e seus candidatos ao Senado na sexta-feira (2) e no sábado (3), depois do encerramento regular da propaganda eleitoral. “Quantos cearenses aderiram ao PT por causa desta inédita bateria de propaganda?”, questionou, sem demonstrar no manifesto o efeito das inserções sobre a votação.

 

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A medida contestada tinha como fundamento a compensação de tempo de propaganda que as emissoras não haviam exibido. Toffoli havia determinado, em 24 de setembro, o acréscimo de 30 segundos a cada veiculação da coligação de Elmano, sem retirar tempo de Ciro. Diante do descumprimento, ordenou a reposição nos dois dias anteriores à votação e rejeitou a justificativa das emissoras de que faltavam parâmetros claros para executar a determinação.

Coordenador da campanha de Elmano, Chagas Vieira classificou a reação do adversário como uma “postura antidemocrática”. “A Justiça apenas repôs o tempo da propaganda eleitoral retirado injustamente de Elmano, sem nenhum minuto a mais”, afirmou à Folha. Ele também acusou Ciro de desrespeitar os eleitores: “Quando questiona o resultado eleitoral, Ciro insulta a democracia e desrespeita o povo”.

A derrota frustrou a tentativa de Ciro de retomar sua trajetória eleitoral pelo estado que já governou, depois de quatro candidaturas malsucedidas à Presidência. De volta ao PSDB, ele disputou o governo aliado a partidos de direita, incluindo o PL. Na véspera da votação, chegou a minimizar o apoio de Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador “não tem a menor relevância aqui no Ceará”. Após o resultado, encerrou o manifesto acusando integrantes do STF de terem “nos assaltado no domingo”.

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