
O presidente do PT, Edinho Silva, procura lideranças do centrão para ampliar o apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, inclusive entre integrantes de partidos que se aproximam de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo O Globo, o dirigente conversou por telefone nesta terça-feira (6) com Gilberto Kassab, presidente do PSD, e Marcos Pereira, presidente do Republicanos.
Kassab reafirmou que o PSD ficará neutro na disputa presidencial, mas disse que a campanha petista pode procurar lideranças da legenda. “O Kassab disse que o PSD ficará na neutralidade, mas que nós temos toda a liberdade de procurar as lideranças do PSD para dialogar. É isso que nós vamos fazer”, afirmou Edinho.
No Republicanos, a posição nacional ainda estava em definição, segundo o relato do presidente do PT. A legenda tinha um encontro previsto com Flávio nesta quarta-feira (7), com expectativa de declarar apoio ao candidato do PL. Edinho, porém, afirmou que mantém conversas com diferentes lideranças do partido.
O petista também relatou contato com Teresa Surita (MDB), senadora eleita por Roraima, que, segundo ele, já declarou apoio a Lula. Outro interlocutor foi André Fufuca (PP), ex-ministro do Esporte do governo e senador eleito pelo Maranhão. Embora o PP tenha anunciado apoio a Flávio, Edinho disse que a tendência de Fufuca é permanecer com o presidente.

A estratégia inclui procurar integrantes do União Brasil e negociar apoios individuais, mesmo quando as direções partidárias seguem outro caminho. “Nós vamos dialogar com muitas lideranças políticas, independentemente da movimentação partidária”, afirmou o dirigente.
As conversas também alcançam o Avante e Augusto Cury, terceiro colocado na disputa presidencial. Edinho disse que o diálogo com a legenda é contínuo e confirmou contatos com o candidato. Não anunciou, contudo, um acordo de apoio para o segundo turno.
As diferenças entre decisões nacionais e alianças regionais já apareciam antes da eleição. Em fevereiro, lideranças do PSD no Nordeste defendiam apoio à reeleição de Lula, enquanto Kassab articulava uma candidatura própria. No mesmo período, o Republicanos conciliava aproximação com Flávio e relações com o governo, com diferentes posições nos estados.