Após revés, campanha de Lula endurece contra STF e mira escolha de ministros

Lula
O presidente Lula (PT) na primeira reunião de campanha após o primeiro turno. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a defender mudanças no modelo de indicação à Corte após o petista terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a mudança de postura começou a ser discutida pelo núcleo duro da campanha horas depois do resultado de domingo (4).

A avaliação interna é que acusações contra integrantes do Supremo produziram desgaste também para o governo. Governistas ouvidos pela coluna reconhecem que faltou uma reação mais firme de Lula à atuação dos magistrados e defendem que o discurso seja ajustado no segundo turno.

O próprio presidente deu um sinal dessa mudança durante uma reunião com aliados na segunda-feira (5). Na ocasião, Lula afirmou que “carrega nas costas a promiscuidade do STF”, em uma crítica à associação entre o governo e os problemas atribuídos à Corte.

Plenário STF
Foto: Alejandro Zambrana/STF

O presidente do PT, Edinho Silva, também afirmou em entrevistas que Lula pretende alterar o sistema de escolha dos ministros, retirando do presidente da República a prerrogativa de indicação. A reportagem não apresenta detalhes sobre o mecanismo que substituiria o modelo atual.

Entre os petistas que defendem mudanças está Pedro Rousseff, vereador de Belo Horizonte eleito deputado federal. Ele disse ao Painel que pretende apresentar sugestões a Lula nesta quarta-feira (7), incluindo propostas para o Supremo. “Não dá mais para serem intocáveis”, afirmou, ao cobrar mudanças na Corte e no sistema político.

A pressão por alterações no Judiciário antecede o resultado eleitoral. Em setembro, Edinho já havia defendido um código de ética para magistrados e integrantes do Ministério Público, além do combate a remunerações acima do teto constitucional. Agora, segundo o Painel, a campanha avalia que precisa tornar essa cobrança mais firme e explícita.

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