Canal de apoiadores de Flávio Bolsonaro tem desinformação 8 vezes mais frequente

Flávio Bolsonaro e André Janones
Flávio Bolsonaro e André Janones. Foto: Reprodução

Um levantamento sobre canais eleitorais no WhatsApp apontou que a desinformação aparece proporcionalmente oito vezes mais no grupo “Tropa do Flávio”, favorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do que no “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A análise examinou 230 publicações do canal bolsonarista e 1.011 do grupo lulista.

O canal ligado a Flávio Bolsonaro tinha 1,7 milhão de seguidores e passou a compartilhar vídeos e imagens com alegações falsas ou fora de contexto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A maior parte dos conteúdos buscava associar o governo e seus apoiadores a situações inexistentes ou distorcer falas do petista.

Uma das postagens exibiu uma jovem de cabelo vermelho levando um cartão ao nariz, com a sugestão de uso de droga em uma manifestação favorável a Lula. O vídeo, já apagado, não havia sido gravado no ato político: as imagens eram da despedida do cantor argentino Indio Solari, morto em 5 de junho.

Outra publicação usou uma foto gerada por inteligência artificial para mostrar uma suposta funcionária limpando pichações em São Paulo depois de uma manifestação. A legenda dizia: “No final a conta sobra para o trabalhador”. A Agência Lupa identificou que a imagem não retratava uma cena real.

Vídeos atribuíram a Lula falas que ele não deu

O canal também divulgou um vídeo que acusava o governo federal de descaso diante das queimadas. O conteúdo reproduzia uma manchete sobre pedido de investigação do Ministério Público de Contas, mas o caso citado se referia à atuação do governo do Amazonas, e não da gestão Lula.

Em outro recorte, a legenda afirmava que Lula queria que o país fosse respeitado “no Crime Organizado”. A fala original ocorreu durante a sanção da lei antifacção, quando o presidente agradeceu aos parlamentares por um “passo importante para que o Brasil seja um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado”.

Também circulou no grupo um vídeo que dizia que Lula prometeu picanha e entregou osso, acompanhado por imagens de uma suposta “fila do osso”. As cenas eram de uma ação de doação de alimentos no Ceará, realizada em 2010, e não tinham relação com o atual governo federal.

O “Exército do Lula” foi alvo de decisões no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por causa de representação de Flávio Bolsonaro. Depois de a campanha de Lula registrar o canal como endereço oficial de comunicação eleitoral, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, autorizou sua retomada; a chapa petista pediu que a Corte aplique a mesma regra de suspensão ao canal favorável ao senador.

Diferentemente do grupo administrado principalmente por Janones, a “Tropa do Flávio” divulga áudios e vídeos de vários políticos bolsonaristas, entre eles os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC). Em um áudio encaminhado aos seguidores, Zanatta orientou apoiadores a remover cartazes adversários: “Se você encontrar um cartaz falando uma mentira sobre o Flávio… arranque esse cartaz, joga no lixo”.

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