
O ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, aliado do governador cassado Cláudio Castro e do bolsonarismo, mantinha aproximadamente 200 kg de drogas sob sua guarda e participava diretamente de negociações envolvendo cocaína, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF). A acusação reúne mensagens, imagens e uma planilha chamada “Pó Amigo TH”, apontada pelos investigadores como instrumento usado para acompanhar pagamentos de uma venda. O documento atribui ao ex-parlamentar três episódios de tráfico, nas modalidades de venda, depósito e oferta de drogas. Com informações do Extra.
Um dos episódios ocorreu em 8 de novembro de 2023. Segundo o MPF, mensagens entre TH e Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, apontado como uma das principais peças da logística do grupo, mostram que os dois venderam cocaína a uma pessoa não identificada. TH teria enviado uma planilha com as datas dos pagamentos e o saldo ainda devido pelo comprador. O arquivo tinha o nome “PÓ AMIGO TH”. Para a Procuradoria, o material indica a participação do então político na intermediação da venda, no controle e no recebimento do dinheiro.
Em 21 de fevereiro de 2024, outro registro passou a integrar a denúncia. TH teria enviado a Índio imagens de uma sala cheia de sacos de entorpecentes e escrito: “Tem 200kg”. Índio respondeu: “Isso não é bom de vender, não”. O MPF afirma que o ex-deputado mantinha aproximadamente 200 kg de droga sob sua guarda para fins comerciais. A própria acusação, porém, apresenta uma divergência: inicialmente chama a substância de “cocaína”, mas, ao descrever as imagens, identifica o conteúdo dos sacos como “maconha”.

A Procuradoria aponta ainda que, em 27 de junho de 2024, TH procurou novamente Índio, desta vez para oferecer cocaína. O ex-deputado teria atuado como intermediário de um fornecedor não identificado. O MPF reconhece que não conseguiu comprovar se a negociação terminou com a entrega da droga, mas afirma que a oferta configura uma das modalidades previstas no crime de tráfico. Ao reunir os episódios, os procuradores dizem que TH “contribuiu para venda, manteve em depósito sob sua guarda e posse e ofereceu para venda” drogas.
Na estrutura descrita pelo MPF, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, aparece no topo da organização ligada ao Comando Vermelho. Logo abaixo estaria um “núcleo de liderança política”, integrado por TH e Alessandro Pitombeira Carracena. Índio e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, que chegou a trabalhar como assessor parlamentar de TH, formariam o núcleo responsável pela coordenação logística. Segundo os procuradores, TH seria um elo entre o Comando Vermelho e instituições do Estado.
A denúncia também afirma que TH tentou interferir na escolha do presidente de uma associação de moradores do Gardênia Azul e propôs a indicação de um comandante para o 2º Comando de Policiamento de Área da Polícia Militar. Segundo o MPF, ele também teria antecipado a Índio informações sobre uma operação policial nos complexos do Alemão e da Penha e se oferecido para ajudá-lo a se esconder. Entre os arquivos encontrados está ainda uma fotografia na qual TH aparece deitado sobre uma cama coberta por dinheiro em espécie, imagem que teria sido feita “aparentemente em sua casa”.