
Augusto Cury (Avante), candidato à Presidência que declarou o maior patrimônio da eleição de 2026, deixou ao menos cinco negócios fora da relação de bens entregue à Justiça Eleitoral. São três empresas registradas na Flórida e outras duas no Brasil, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. Cury declarou patrimônio de R$ 242,3 milhões.
Na Flórida, o escritor consta nos registros da Cury Academia Comportamental, da Contemplare Investments e da Free Mind Publish, abertas entre 2021 e 2024 e mantidas ativas em 2026. Os documentos estaduais o identificam como pessoa autorizada a agir pelas três companhias, mas não informam quanto ele possui de cada uma nem o capital investido. Em uma delas, Cury aparece sozinho nessa condição.
Outras duas empresas estadunidenses foram informadas ao TSE: Intelligence School e Love Story Investments. A primeira comprou e vendeu ao menos quatro imóveis em Orlando entre 2014 e 2024, em transações que somaram US$ 13,5 milhões, segundo registros imobiliários citados pela Folha.

No Brasil, também não aparecem na declaração a Contemplare, empresa ligada à locação e administração de imóveis e atividades rurais, e a Academia de Pensar e Brincar, da qual Cury é sócio-administrador com a mulher e duas filhas. O escritor saltou para 8% no Datafolha e assumiu isoladamente a terceira posição na corrida presidencial.
A declaração entregue por Cury já chama atenção pelo volume. O candidato lidera o ranking patrimonial dos presidenciáveis, com ativos que incluem R$ 121 milhões a receber da Filadélfia Nature e R$ 31,5 milhões vinculados à Fictor Invest, grupo que está em recuperação judicial.
A equipe de Cury afirma que todo o patrimônio foi “construído de forma lícita” e que fará uma revisão dos dados enviados à Justiça Eleitoral. Segundo a campanha, se forem encontradas “inconsistências pontuais”, serão adotadas providências para corrigi-las. A existência dos negócios fora da declaração não permite, por si só, concluir que houve ocultação deliberada ou prática de ilícito.