
Deltan Dallagnol (Novo) colocou em um processo público de sua candidatura ao Senado pelo Paraná dezenas de páginas com informações fiscais e bancárias do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Os documentos foram obtidos pela Lava Jato em 2019 e posteriormente anulados pela Justiça. Segundo informações de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, os advogados do ex-procurador juntaram o material sem pedir que ele permanecesse sob sigilo.
O material saiu de procedimentos do Conselho Nacional do Ministério Público usados pela defesa de Deltan para tentar rebater questionamentos à sua candidatura. Os documentos incluídos no processo eleitoral contêm informações de Zanin, de sua mulher e sócia, Valeska Teixeira Zanin Martins, de familiares e do então escritório Teixeira, Martins & Advogados. O registro da candidatura de Deltan tramita no TRE-PR sob o número 0601276-56.2026.6.16.0000.
Os dados haviam sido obtidos em uma investigação conduzida no Rio de Janeiro após decisão do então juiz Marcelo Bretas. Na época, Zanin era um dos principais advogados de Lula e o escritório prestava serviços à Fecomércio-RJ. O STF posteriormente acolheu argumentos da defesa e anulou as decisões e as provas derivadas daquela apuração. Deltan participou da articulação da ofensiva da Lava Jato contra escritórios de advocacia.

Segundo os documentos agora expostos, a Receita Federal não identificou conta secreta no exterior, valores escondidos do Fisco, transações bancárias suspeitas ou patrimônio sem origem lícita comprovada em nome de Zanin ou de seu escritório. Ainda assim, os relatórios fiscais produzidos naquela investigação acabaram incorporados anos depois ao processo eleitoral de Deltan.
A candidatura do ex-procurador está cercada por uma disputa jurídica própria. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral cassou por unanimidade o registro de Deltan nas eleições de 2022. Para 2026, Deltan voltou à disputa pelo Senado, e o Ministério Público Eleitoral já emitiu parecer favorável ao reconhecimento de sua elegibilidade, embora a definição caiba à Justiça Eleitoral.
Os documentos que Deltan usou para se defender no processo eleitoral são justamente peças de procedimentos do CNMP relacionados à sua atuação na Lava Jato. A representação de Zanin contra Dallagnol acabou arquivada em relação ao ex-procurador após sua saída do Ministério Público Federal. Agora, ao apresentar esse material para sustentar sua situação eleitoral, a defesa acabou colocando novamente em circulação pública dados fiscais e bancários obtidos numa investigação cujas medidas foram anuladas pelo Supremo.