A hora é de mobilização, com mais inteligência e destemor. O segundo turno não permite acomodação. É hora de ir às ruas e às redes, sem perda de tempo. O que não foi feito no primeiro turno precisa ser feito agora: conversar, ouvir, esclarecer e convencer.
A disputa está longe de ser apenas eleitoral. Estamos diante de escolha entre democracia e barbárie, entre um projeto que defende o Estado Democrático de Direito e outro que ameaça aprofundar a intolerância, o autoritarismo e a destruição de direitos.
Mas não basta falar para os já convencidos. É preciso sair da bolha. Ouvir as pessoas, compreender suas angústias, suas dúvidas e suas razões. Quem quer convencer precisa primeiro saber escutar.
Reduzir a diferença
Lula terminou a primeira rodada com pouco mais de 2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro. A diferença é significativa, mas absolutamente reversível.
E a estratégia precisa ser objetiva: reduzir a distância onde Lula perdeu, ampliar a vantagem onde venceu e buscar o voto de quem não foi votar.
Esse último contingente pode ser decisivo.
Há milhões de brasileiros que ficaram fora da eleição. Não se trata apenas de perguntar por que não votaram, mas de criar as condições para que possam ir às urnas. É preciso mostrar que, neste segundo turno, cada voto terá peso ainda maior.
Convencer sem arrogância
Não haverá virada baseada em discurso pronto ou em comemoração antecipada. Tampouco em moralismo, arrogância ou na certeza de que “todo mundo já sabe” o que está em jogo.
É preciso explicar, comparar propostas, desmontar mentiras e mostrar, de maneira concreta, o que cada projeto representa para o emprego, o salário, a jornada de trabalho, a educação, a saúde, a democracia e os direitos sociais.
E fazer isso olhando nos olhos das pessoas. Nas comunidades, nos locais de trabalho, nas escolas, nas universidades, nos sindicatos, nas igrejas, nas periferias e nas redes digitais.
Cada voto conta
A campanha precisa transformar indignação em organização. Cada militante deve ser um agente de diálogo; cada sindicato, movimento social e organização popular precisa ocupar seu espaço; cada cidadão comprometido com a democracia pode ajudar a convencer mais 1 eleitor.
Não há tempo para esperar que o outro faça.
O resultado do primeiro turno mostrou que a eleição está aberta. O segundo turno será decidido por quem conseguir falar com aqueles que ainda estão indecisos, com os que se afastaram da política e, sobretudo, com os milhões que não compareceram às urnas.
É hora de descer do palanque, ouvir mais, conversar mais e trabalhar mais.
Porque, desta vez, não basta vencer uma eleição. É preciso impedir que a democracia seja derrotada pela barbárie.
Às ruas. Às redes. Ao diálogo. Ao voto. E sem perda de tempo.