Outubro Rosa: CTB defende saúde integral das mulheres e cobra acesso à prevenção e ao tratamento

Na Plenária do Conselho Nacional de Saúde, Dany Moretti e Elgiane defenderam políticas públicas que garantam às trabalhadoras tempo e acesso para prevenção do câncer de mama e do colo do útero

O Outubro Rosa precisa ser mais do que uma campanha de conscientização. Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o período deve servir para ampliar a cobrança por políticas públicas capazes de garantir às mulheres acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de doenças que atingem sua saúde, entre elas os cânceres de mama e do colo do útero.

Essa foi uma das questões levantadas pela secretária de Saúde dos Trabalhadores da CTB, Dany Moretti, durante a Plenária do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Ao lado da secretária adjunta Elgiane, a dirigente participou das discussões defendendo uma abordagem de saúde integral da mulher, que considere também as condições de trabalho e as dificuldades enfrentadas pelas trabalhadoras para realizar exames preventivos.

Para Dany, não basta repetir durante o mês de outubro que as mulheres precisam “se cuidar”. É necessário garantir condições concretas para que esse cuidado seja possível.

“Nós não queremos a mulher culpabilizada no mês de outubro. Não pode ser apenas ‘previna-se, cuide-se’, como se a responsabilidade de tudo fosse nossa”, afirmou.

Prevenção não pode depender apenas da mulher

A prevenção do câncer de mama e do câncer do colo do útero exige acesso aos serviços de saúde, realização de exames e acompanhamento adequado. Para a CTB, transformar essa responsabilidade exclusivamente em uma obrigação individual das mulheres ignora os obstáculos enfrentados diariamente por milhões de trabalhadoras.

Filas e dificuldades de acesso aos serviços públicos, falta de tempo e jornadas extensas podem dificultar a realização de consultas e exames preventivos.

Por isso, a entidade defende que as campanhas de prevenção sejam acompanhadas de políticas públicas permanentes e medidas que garantam às trabalhadoras tempo para cuidar da própria saúde.

“Precisamos que o acesso chegue a nós. Precisamos que os patrões também nos liberem para poder fazer nossos exames ginecológicos”, destacou Dany.

Câncer de mama e colo do útero: prevenção precisa ser permanente

Embora o Outubro Rosa tenha como principal foco a conscientização sobre o câncer de mama, a CTB defende que a discussão sobre saúde feminina não fique restrita a uma única doença.

A prevenção do câncer do colo do útero também precisa fazer parte das políticas permanentes de atenção à saúde das mulheres. Isso envolve acompanhamento ginecológico e a realização dos exames indicados pelos serviços de saúde, além das estratégias de prevenção relacionadas ao HPV.

Da mesma forma, o enfrentamento ao câncer de mama não pode terminar na realização de uma mamografia. Mulheres que recebem um diagnóstico precisam ter acesso rápido ao tratamento e acompanhamento integral.

Dany chama atenção justamente para essa dimensão do cuidado.

“Quando a mulher tem um câncer de mama, também é preciso fazer todo o rastreio do corpo, porque câncer de mama também faz metástase”, alertou.

Para a dirigente, portanto, falar em prevenção significa defender uma rede de saúde que acompanhe a mulher antes, durante e depois de um eventual diagnóstico.

Fim da escala 6×1 também é uma pauta de saúde

A CTB relaciona a defesa da saúde das mulheres à luta por melhores condições de trabalho. Para a entidade, jornadas extensas e a escala 6×1 reduzem o tempo disponível para consultas, exames e acompanhamento médico.

Dany Moretti questiona se as empresas estão, de fato, criando condições para que suas trabalhadoras possam realizar os exames preventivos.

“O patrão nunca vai fazer um programa dentro do trabalho para que as mulheres tenham, no mês de outubro, um dia de folga para fazer suas mamografias”, afirmou.

A dirigente defende que as trabalhadoras tenham condições de realizar não apenas mamografias, mas também exames ginecológicos, consultas e procedimentos necessários para a prevenção do câncer do colo do útero e de outras doenças.

A redução da jornada e o fim da escala 6×1, nesse sentido, também são apresentados pela CTB como parte da luta por uma vida com mais tempo para o descanso, a convivência familiar e os cuidados com a saúde.

“Não basta o laço rosa”

A CTB defende que o Outubro Rosa seja um período de mobilização para cobrar respostas concretas do poder público e dos empregadores.

Para Dany Moretti, a campanha não pode se resumir ao uso do laço rosa e a mensagens que colocam sobre cada mulher a responsabilidade individual pela prevenção.

“Não só o romantismo do Outubro Rosa, na perspectiva de que a gente precisa se cuidar, precisa fazer nossos exames, precisa usar o laço rosa, mas de enfrentamento. Nós precisamos de políticas públicas que cheguem a nós facilmente”, afirmou.

A participação de Dany Moretti e Elgiane na Plenária do Conselho Nacional de Saúde reforça a atuação da CTB na defesa de uma política de saúde que considere as necessidades das trabalhadoras e enfrente os obstáculos que dificultam o acesso à prevenção e ao tratamento.

Neste Outubro Rosa, a defesa da CTB é por uma saúde integral: prevenção do câncer de mama e do colo do útero, acesso ao SUS, diagnóstico e tratamento adequados, condições dignas de trabalho e tempo para que as mulheres possam cuidar da própria saúde.

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