
O Complexo da Maré registrou 28,46% de abstenção no primeiro turno das eleições de 2026, índice superior à média nacional de 21,08%. Na Rocinha, a abstenção chegou a 26,86%, também acima do percentual verificado no país, segundo a coluna de Thais Bilenky no UOL.
Na Maré, mais da metade dos eleitores, 52%, precisou sair das favelas onde mora para votar após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro transferir locais de votação. O TRE-RJ justificou a medida com motivos de segurança e afirmou que a votação em áreas dominadas pelo crime organizado ou por milícias poderia expor eleitores a ameaças ou coação.
A zona eleitoral 161 reuniu cinco postos de votação que deixaram a Maré. Dos 92 mil eleitores aptos nessa zona, 26 mil não compareceram às urnas.
Moradores enfrentaram esperas de até quatro horas em filas formadas nas calçadas. A ONG Redes da Maré relatou desistências por causa do calor e das longas caminhadas até as seções, sobretudo entre eleitores idosos.

Filas e votação na Rocinha
O juiz Marcello Rubioli, responsável pela fiscalização do TRE-RJ, havia afirmado no dia da votação que a transferência dos locais não afetaria a presença dos eleitores. “A percepção que se tem é o contrário, de uma alta incidência de votação. Haja vista as filas que a gente tem detectado”, declarou.
Na Rocinha, maior favela do país, quase 27 mil dos cerca de 100 mil eleitores aptos deixaram de votar. No Ciep Ayrton Senna da Silva, da zona eleitoral 211, uma fila de 1,5 quilômetro se formou na manhã do primeiro turno.
Na zona 161, que concentrou os postos transferidos da Maré, o presidente Lula (PT) recebeu 53,78% dos votos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve 39%.
Na Rocinha, Lula obteve 58% dos 73 mil votos computados, e Flávio alcançou 32%. Em 2022, a comunidade deu a Lula sua maior votação proporcional entre os bairros do Rio de Janeiro, com 78%.