
Eduardo Paes (PSD) apostou no doisladismo maroto, no doisladismo arte, para tentar conquistar eleitores de diferentes campos. Evitou confrontar diretamente o bolsonarismo, rifou Lula e quis preservar uma imagem de independência que agradasse ao eleitorado conservador e à Rede Globo.
O resultado foi uma derrota na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, enquanto a extrema direita avançou no estado com um novo bandido, Douglas Ruas (PL). Depois da decisão do Tribunal Superior Eleitoral que anulou os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), a campanha de Paes anunciou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal para tentar garantir a realização de um segundo turno.
Com a retotalização determinada pelo TSE, Ruas poderá ser declarado eleito no primeiro turno.
A postura de Paes provocou insatisfação no entorno de Lula. Segundo a Folha, o presidente reclamou da falta de empenho do candidato em sua campanha no Rio, especialmente depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro.
“Eu tenho muita gratidão ao presidente Lula, voto no presidente Lula, faço campanha para o presidente Lula. Agora, tem pessoas que votam em mim que não fazem campanha, que não votam no presidente Lula. Eu já disse: eu não sou do PT, eu não penso tudo igual ao Lula, eu não sou um vassalo do Lula”, afirmou.
A tentativa do prefeito carioca de se apresentar como um candidato acima da “polarização” acabou não garantindo a vitória. Foi humilhado pelo ex-aliado Silas Malafaia, cuja mão beijou em setembro de 2025. O pastor publicou um vídeo nas redes sociais na terça-feira (6).
“Eduardo Paes, reconheça que perdeu, que é mais digno. Tem hora de ganhar, e tem hora de perder”, afirmou Malafaia no vídeo.
🗳🔍 ‘Nem Lula nem Bolsonaro vão governar o Rio’, afirma Paes ao projetar o segundo turno no RJ
🎤 Em declaração à imprensa, Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do RJ, comentou o cenário político para a nova fase da disputa pelo estado. Durante o pronunciamento, o candidato enfatizou: “Precisamos de um debate mais firme, mas duro entre as duas partes”.
🗣 Paes destacou que a discussão central deve ser sobre os interesses do estado do Rio de Janeiro, afirmando que nem Flávio Bolsonaro nem Lula irão governar o estado. O candidato também criticou figuras políticas de gestões anteriores.
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) October 5, 2026
A lição de Churchill
Paes repetiu, em escala nanica, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain diante de Adolf Hitler. Em setembro de 1938, Chamberlain participou da Conferência de Munique com Hitler, Benito Mussolini e o francês Édouard Daladier. O acordo permitiu à Alemanha anexar os Sudetos, região da então Tchecoslováquia, sob a promessa de que aquela seria a última reivindicação territorial do führer.
Ao voltar a Londres, Chamberlain apresentou o acordo como uma conquista da paz — “Peace for our time”, proclamou. Churchill resumiu a patacoado em uma frase célebre: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a guerra”.
Batata. Em março de 1939, Hitler ocupou o restante da Tchecoslováquia, violando o acordo. Em setembro, a Alemanha invadiu a Polônia e deu início à Segunda Guerra Mundial.
A campanha de Paes afirmou que pretende recorrer ao Supremo com base nos votos divergentes apresentados no julgamento e defender a realização do segundo turno. Agora vai.