
A suspeita de apoio estrangeiro à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou agora ao terreno mais sensível para uma chapa presidencial: a Justiça Eleitoral. A campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral e pediu, entre outras medidas, a cassação da chapa do adversário e a inelegibilidade dos envolvidos.
A ação também alcança o candidato a vice, Alfredo Gaspar, e Eduardo Bolsonaro e acusa o grupo de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação, segundo Letícia Casado, do UOL.
O pedido não se limita a uma punição eleitoral. A campanha quer que o TSE colha depoimentos, requisite documentos a órgãos públicos e autorize quebras de sigilo para tentar reconstruir a origem de eventuais recursos e a participação de agentes estrangeiros. Um dos pontos sob suspeita é a Rockbridge Network, organização conservadora estadunidense associada a nomes do trumpismo e que passou a aparecer no debate brasileiro após acusações de atuação em benefício de Flávio Bolsonaro.
A existência de relações com a rede está parcialmente documentada, mas financiamento eleitoral externo não. O empresário Tallis Gomes confirmou fazer parte da Rockbridge, mas negou que o grupo tenha colocado dinheiro na campanha de Flávio Bolsonaro. A ação busca descobrir se houve recursos, serviços, estrutura ou outra forma de benefício eleitoral fornecida do exterior.

Propaganda paga a favor de Flávio Bolsonaro publicado em perfil trumpista do X, acima da data da publicação consta “Parceria placa”. Foto: Reprodução/XOutro elemento citado na controvérsia são publicações patrocinadas por perfis localizados fora do Brasil em favor de Flávio Bolsonaro. O X marcou parte desses conteúdos como “Paid Partnership”, mas não informa publicamente quem financiou as peças. A localização dos perfis e a existência de publicidade paga, isoladamente, não provam financiamento estrangeiro nem coordenação com a campanha.
A ofensiva no TSE é distinta da frente aberta no Supremo. Horas antes, o PT já havia acionado Flávio Dino para pedir uma investigação sobre possível interferência dos Estados Unidos a favor de Flávio Bolsonaro. Nesse caso, o objetivo é provocar uma apuração pela Polícia Federal e eventual atuação da Procuradoria-Geral da República. No TSE, o foco é eleitoral e as consequências pedidas incluem diretamente cassação e inelegibilidade.
Nenhuma dessas sanções foi aplicada, e o apoio estrangeiro ilegal ainda precisa ser demonstrado. O salto político e jurídico desta nova ação está justamente aí: a discussão deixa de se restringir a um pedido para descobrir se houve interferência e passa a incluir uma tentativa formal de responsabilização eleitoral da chapa de Flávio Bolsonaro caso a origem externa dos benefícios e sua vinculação à campanha sejam comprovadas.