
Por Leonardo Sakamoto, via UOL
Leonardo Sakamoto afirmou nesta quarta-feira (23), no UOL News, que a crise no STF em torno dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro passou a ocupar espaço desproporcional no debate em plena eleição presidencial e disse que o vazamento seletivo de mensagens envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes “não foi sem querer”.
Ficamos monotematicamente em cima do Supremo, sendo que temos uma eleição presidencial. E parece que a única função do presidente da República, seja ele Lula ou Flávio Bolsonaro, que são os dois que podem ganhar a eleição, é indicar nomes para o Supremo.
As pessoas conseguem opinar até sobre a cor da cueca do André Mendonça e do Alexandre de Moraes, mas não conseguem falar uma mísera linha sobre o programa dos candidatos para salários, aposentadorias, educação, saúde. A grande crítica em cima do ministro André Mendonça é que o vazamento seletivo de mensagens ocorreu no meio do processo eleitoral, e não foi sem querer.

Você tem dentro desses dois grupos no STF pessoas que não deveriam estar votando, de ambos os lados. Alexandre de Moraes, André Mendonça, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli não têm condições de analisar esses casos. Todo mundo que está citado naquele bololô do celular não tem condições de decidir o próprio futuro.
Nas redes, as pessoas têm que seguir as regras da comunidade, sendo que o país tem uma lei. E quem define se está seguindo ou não as regras é a própria empresa, não a Justiça – que, com todas as falhas e defeitos, é uma instituição pública brasileira. Big Techs e regras da comunidade, não. Ninguém sabe quem é o juiz que está decidindo aquilo lá. Nós transferimos para empresas privadas a decisão daquilo que deve ou não deve estar na arena pública.