VÍDEO – “Quero ganhar dele na narrativa”, diz Lula após discurso de Trump na ONU

Lula Janja
O presidente Lula e a primeira-dama Janja da Silva durante o ato “Cultura com Lula” na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

Lula afirmou nesta quarta-feira (23) que pretende enfrentar Donald Trump no campo político e discursivo, e não numa disputa de força com os Estados Unidos. Durante o evento “Cultura com Lula”, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, o presidente comparou os pronunciamentos feitos pelos dois líderes na Assembleia Geral da ONU e declarou: “Eu, como sei do meu tamanho, eu não quero fazer guerra com ele, eu quero ganhar dele na narrativa. E nós estamos ganhando na narrativa”.

O ato reuniu artistas e representantes do setor cultural na reta final da campanha presidencial e marcou o retorno de Lula às agendas eleitorais no Brasil depois da viagem a Nova York. Entre os participantes estavam Chico Buarque, Paulinho da Viola, Lenine, Daniela Mercury, Zeca Pagodinho, Marieta Severo e Malu Mader.

Ao falar da passagem pela ONU, Lula disse que o significado de seu pronunciamento ficava mais evidente quando colocado ao lado do de Trump. O petista imitou a forma como o republicano costuma exaltar o poder dos Estados Unidos, citando Exército, Marinha, foguetes e bombas, e afirmou que o presidente estadunidense repete esse tipo de discurso “como se estivesse ameaçando todo mundo”.

Na Assembleia Geral, na terça-feira (22), Lula defendeu a soberania brasileira e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. O discurso também abordou interferência estrangeira nas eleições, democracia, multilateralismo e rejeição a intervenções externas. Trump falou na sequência e voltou a apresentar os Estados Unidos como potência militar dominante, além de fazer ameaças ao Irã e defender ações duras contra países e organizações que considera adversários.

O contraste entre os dois discursos já vinha sendo explorado por Lula antes mesmo da Assembleia. Na véspera, em entrevista à CNN, ele chamou Trump de “imperador” e criticou uma lógica baseada em ser “o mais forte” e “o mais poderoso”. No Rio, transformou essa crítica numa formulação mais direta sobre sua estratégia: não tentar rivalizar com o poder militar estadunidense, mas disputar a interpretação dos acontecimentos.

A fala ocorre em meio a uma campanha marcada pela tensão entre o governo brasileiro e a administração Trump. Lula tem associado a defesa da soberania à eleição de outubro e usou a tribuna da ONU para advertir contra interferências externas no processo eleitoral. Diante do público ligado à cultura, resumiu essa disputa em uma frase: “Nós estamos ganhando na narrativa”.

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