
A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, denunciou à Polícia Civil de Minas Gerais ameaças de morte, estupro e ataques racistas recebidos por e-mail durante a campanha. Natural de Divinópolis, ela se tornou a deputada federal mais jovem já eleita no país.
Na mensagem, enviada em 5 de setembro, o autor se apresentou como “integrante de um grupo supremacista branco” e atacou mulheres negras na política. “Nós os desprezamos. E especificamente, nós desprezamos você”, escreveu o remetente.
O e-mail também citava dados pessoais de Ana Elisa e ameaçava sua família, em uma tentativa de demonstrar que o autor saberia como localizá-la. Em outro trecho, ele ameaçou encerrar “sua miserável vida inteira”, além de fazer referências a violência sexual.
A equipe da petista divulgou partes da mensagem nas redes sociais e informou que adotou medidas policiais e judiciais para identificar o responsável. Em nota, afirmou que “a internet não é território de impunidade” e que racismo, ameaça, violência sexual e violência política de gênero não serão tratados como algo normal na vida pública.

Votação colocou Ana Elisa entre os principais nomes de Minas
Ana Elisa recebeu 524.216 votos e terminou a disputa para a Câmara em segundo lugar em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). O resultado também fez dela a mulher mais votada da história do estado para deputada federal.
Filha de professora negra e mãe solo, Ana Elisa nasceu em 31 de agosto de 2005, em Divinópolis, e tem raízes familiares em Oliveira. Estudante de Direito, ela trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais antes de disputar sua primeira eleição.
A candidatura surgiu em março, quando sua atuação política se concentrava nas redes sociais. Durante a campanha, ela chegou a 1,9 milhão de seguidores no Instagram e hoje soma 2 milhões; a deputada eleita atribuiu parte do resultado à presença digital. “Rede social elege, sim”, disse.
Embora tenha concorrido pelo PT, Ana Elisa também defendeu renovação partidária e maior presença de jovens e negros nos espaços de poder. A Polícia Civil mantém a investigação sobre as ameaças e informou que divulgará novos detalhes no momento oportuno.