
A ameaça de Flávio Bolsonaro de que vai mexer na Constituição, feita ontem em Goiânia, virou samambaia na grande imprensa, com exceção do Globo.
É a declaração mais ameaçadora desde a tentativa de golpe pelo pai dele. Nem a jornalista investigativa Malu Gaspar se interessou em saber no que ele pretende mexer.
Também desapareceu até do UOL, que deu o furo, a notícia sobre o documento que prova a interferência de Trump na eleição, com citação de envolvimento de Eduardo Bolsonaro.
Quem recebeu no Brasil US$ 1 milhão enviados pelos Estados Unidos para financiar ataques ao Supremo? A pergunta sumiu do UOL antes de chegar aos sites dos outros jornais.
Explicação
Os jornais informaram o seguinte, com extrema candura, ainda na manhã de quarta-feira. O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou que as mudanças na Constituição defendidas por ele passam por uma reforma do Judiciário, pela redução da maioridade penal e pelo fim da reeleição.
A declaração foi dada durante um ato em Brasília no qual a federação formada por União Brasil e PP formalizou apoio à sua candidatura no segundo turno. Flávio afirmou:
“Temos que respeitar a política, tem várias PECs possíveis. Tem que haver uma reforma do Judiciário. Sou a favor da diminuição da maioridade penal, tem que ser por PEC. O fim da reeleição também tem que ser por PEC, e é o Congresso que vai decidir se são quatro ou cinco anos. Qualquer coisa diferente disso é especulação. Vi gente dizendo que agora, com maioria, Flávio vai fazer o que o pai não fez. Para com isso. Vamos aterrissar no mundo real. Vou usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar essa PEC (do fim da reeleição)”.
Agora está explicado. Não tem golpe nem salto alto, nem ameaça ao SUS ou à educação pública. Foi só um apito pra ver como a cachorrada iria reagir.