Alemanha, setembro de 1926, um capítulo didático da história, por Felipe Bueno

Alemanha, setembro de 1926, um capítulo didático da história

por Felipe Bueno

Cem anos se passaram. Em setembro de 1926, a entrada da Alemanha na Liga das Nações representou um dos momentos-chave do período entreguerras. Quase oito anos após o fim traumático da Primeira Guerra Mundial, o país derrotado, politicamente frágil e economicamente devastado, sentou-se à mesa com as potências vencedoras. Para a República de Weimar, a admissão na confraria era vista como um passo essencial para recuperar a soberania e revisar as duras imposições do Tratado de Versalhes. Porém, o que poderia ter sido o início de uma paz duradoura na Europa e no mundo ocidental acabou por sedimentar o caminho para a tragédia na década seguinte.

A Alemanha que sobrou de 1918 estava longe de ser um país unificado. Ao contrário, sua população estava claramente dividida, polarizada, com o lado radical nacionalista (incluindo o nascente partido nazista) vendo a adesão à Liga como uma autorização para legitimar o cerco geopolítico à Alemanha, que àquela época tinha a inflação, o desemprego, o ressentimento e a incerteza como fundamentos do dia-a-dia.

A união durou apenas sete anos. A Liga foi testada sem sucesso na invasão da Manchúria pelo Japão em 1931. Talvez não fosse tão influente assim. Adolf Hitler, chanceler que entrou para o governo da Alemanha pela porta da frente, retirou o país da Liga em 1933. Não havia mais quem formalmente o impedisse de dedicar-se à expansão de seu espaço vital. A História estava para ser contada em alguns dos seus mais tristes capítulos.

Veio 1945, depois de um dos maiores massacres da humanidade. Veio a ONU, como sucessora e produto dos erros e dos aprendizados da Liga das Nações. Tantas décadas depois, porém, o mundo segue testemunhando punições seletivas, ora por meio do isolamento diplomático, ora pela sanção econômica, chegando ao confronto armado em alguns casos. Donald Trump, homem que melhor representa o desarranjo no mundo pós-1989, já demonstrou publicamente mais de uma vez seu desprezo à ONU. Seu movimento autoriza muitos de seus seguidores, líderes que até ontem sussurravam timidamente com vozes baixas e finas, a aparecer nas tribunas falando cada vez mais alto.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

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