
A Alemanha registrou um recorde de 15.800 mortes relacionadas ao calor neste verão, informou nesta quinta (27) o Instituto Robert Koch (RKI), autoridade nacional de saúde. A nova estimativa elevou o total de 14 mil mortes divulgado uma semana antes, quando os dados consideravam os registros coletados até 9 de agosto.
As pessoas com mais de 75 anos concentraram a maior parte dos casos associados às altas temperaturas. O RKI aponta que doenças preexistentes, como problemas cardiovasculares, pulmonares e renais, podem se agravar durante as ondas de calor.
Cerca de 9.600 das 15.800 mortes ocorreram entre 22 e 28 de junho, período em que algumas regiões alemãs registraram temperaturas acima de 41°C. Essa semana respondeu por mais da metade do total estimado pelo instituto.
Outro período de calor intenso, entre o fim de julho e meados de agosto, esteve associado a aproximadamente 4 mil mortes. Os dois episódios ocorreram em um verão marcado também pela seca em diversas áreas europeias.

Estimativa considera excesso de óbitos durante ondas de calor
O RKI calcula as mortes relacionadas ao calor por métodos estatísticos que comparam os óbitos registrados em semanas de verão com ondas de calor e em períodos sem temperaturas extremas. O calor, em geral, não consta diretamente como causa nos atestados de óbito.
Por isso, o instituto identifica a mortalidade adicional observada durante os dias mais quentes e avalia a relação com as condições meteorológicas. A metodologia busca medir os efeitos indiretos das temperaturas elevadas sobre pessoas vulneráveis.
As altas temperaturas podem piorar quadros clínicos já existentes, principalmente entre idosos. Problemas no coração, nos pulmões e nos rins estão entre as condições que elevam o risco em períodos de calor extremo.
O verão no Hemisfério Norte teve temperaturas elevadas e baixos índices de chuva em grande parte da Europa. Em Dorsten, no oeste alemão, campos de milho apresentaram plantas amareladas após a combinação de calor intenso e falta de precipitação.