
Representantes do agronegócio e especialistas defenderam que o próximo governo preserve as relações comerciais com China e Estados Unidos após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A China é a maior compradora de produtos agropecuários brasileiros, seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Com informações do G1.
A especialista em China Larissa Wachholz afirmou, em debate no Insper, em São Paulo, que Pequim acompanha a América Latina com cautela diante da possibilidade de maior alinhamento de países da região a Washington. “A China tem olhado para a América Latina com muita cautela, buscando observar onde o seu investimento é bem-vindo, onde as suas relações comerciais são bem-vindas e onde não são”, disse.
Wachholz, que coordenada o Programa Ásia do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e atuou como assessora especial do Ministério da Agricultura entre 2019 e 2021, afirmou que a preocupação chinesa cresceu durante os governos de Donald Trump. Segundo ela, documentos internos dos Estados Unidos passaram a tratar a América Latina como área de influência norte-americana.
Para a especialista, empresas chinesas evitam atuar em locais que possam se transformar em áreas de confronto entre as duas potências. “Os investimentos precisam fazer sentido econômico e eles só vão fazer se houver estabilidade jurídica”, afirmou.
Investimentos chineses sustentam logística das exportações

Wachholz destacou que investimentos chineses ajudam o agronegócio brasileiro a enfrentar gargalos logísticos e a manter competitividade nas exportações. O transporte de carnes, por exemplo, exige contêineres refrigerados e portos equipados para conservar os produtos até o embarque.
A chinesa Cofco participa do terminal STS11, no Porto de Santos, usado nas exportações agrícolas. Em Paranaguá, no Paraná, a TCP, controlada pela China Merchants Port, ampliou em 2024 a estrutura de tomadas para contêineres refrigerados, elevando a capacidade de armazenagem de carnes e outros alimentos congelados.
A especialista afirmou que o Brasil precisa sinalizar previsibilidade caso queira continuar atraindo capital chinês, mesmo sob um eventual governo mais próximo dos Estados Unidos. Para ela, uma afinidade política com Washington não deveria levar o país a adotar uma postura de confronto com Pequim.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), disse que não espera mudanças nas exportações de carne para a China em razão do resultado eleitoral. “Frango não tem partido nem ideologia. Não dá para misturar isso”, afirmou, ao lembrar que o agronegócio brasileiro atende ao mercado interno e compradores de 170 países.
Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, avaliou que as tarifas impostas por Trump a outros países tornaram o comércio internacional mais complexo. “Nós temos que nos dar bem com os Estados Unidos e com a China, ou seja, isso é obrigatório”, afirmou.