A ciranda como espaço de futuro

Foto: Alí Nacif

Por Alí Nacif
Da Página do MST

A presença das crianças marcou a abertura da VI Feira da Reforma Agrária em Belo Horizonte. Filhos e netos das famílias Sem Terra participaram do momento, reunindo diferentes gerações em torno da produção, da cultura, da organização e da luta pela Reforma Agrária Popular.

Durante os três dias de programação, a ciranda é um dos espaços dedicados às crianças. Mais do que garantir um lugar para brincar enquanto as famílias participam das atividades da Feira, a iniciativa constrói um ambiente de convivência, cuidado e formação, onde a infância também ocupa um lugar na organização do Movimento.

A programação reúne oficinas de pipas, bolas de sabão, pintura e colagem, além de contação de histórias, música e outras atividades de arte e cultura. São momentos que estimulam a criatividade, a expressão e a convivência entre as crianças, fortalecendo relações baseadas na partilha e na vida coletiva.

Foto: Alí Nacif

Para o MST, a ciranda faz parte da construção dos espaços de organização das famílias Sem Terra. Enquanto mães, pais, avós e outros familiares participam das atividades da Feira, as crianças também vivenciam a experiência coletiva, encontram outras crianças e constroem suas próprias formas de participação.

Uma das crianças chamada Beto, perguntada o que era estar na Feira e na Ciranda, prontamente e com um sorriso largo respondeu – “MEU PAI E MINHA MÃE ESTÃO TRABALHANDO E EU ESTOU COM MEUS AMIGOS E MEUS TIOS CURTINDO ESSE DIA”

Na abertura da Feira, essa presença ganhou um significado especial. Crianças, filhos e netos acompanharam suas famílias em um momento de celebração e de luta. São diferentes gerações reunidas em um mesmo espaço, mostrando que a Reforma Agrária Popular também é pensada a partir da vida e do futuro das novas gerações.

A ciranda, nesse sentido, não é apenas um lugar de recreação. É também um espaço de formação. Por meio da brincadeira, da arte, da cultura e da convivência, as crianças experimentam outras formas de relação, construídas a partir do cuidado, da solidariedade e da cooperação.

Uma pipa feita pelas próprias mãos, uma pintura compartilhada, uma história contada, uma roda de música ou uma brincadeira com bolas de sabão fazem parte de um processo maior. São experiências que ajudam a construir, desde a infância, valores que estão presentes no cotidiano das famílias Sem Terra e na organização do Movimento.

A construção desses espaços também expressa a compreensão do MST de que a infância precisa estar presente nos territórios e nas atividades do Movimento. O direito de brincar, criar, aprender e conviver está relacionado à construção de uma sociedade que coloque a vida no centro e garanta às novas gerações condições para viver com dignidade.

Foto: Alí Nacif

Na VI Feira da Reforma Agrária, as crianças também ocupam a cidade. Elas chegam acompanhando suas famílias, conhecem outras crianças, participam das atividades e deixam suas marcas no espaço por meio dos desenhos, das brincadeiras, das perguntas e dos sonhos.

A luta pela terra, portanto, não se encerra na conquista de um pedaço de chão. Ela envolve a construção de condições para que as famílias possam viver, produzir, estudar, brincar, criar seus filhos e garantir um futuro com dignidade para as próximas gerações.

“Nossas crianças são o futuro” é uma afirmação que ganha sentido quando o presente também é construído para elas. Cuidar da infância, garantir espaços de convivência e assegurar o direito à cultura, à arte e à brincadeira também faz parte da luta pela Reforma Agrária Popular.

Na Feira da Reforma Agrária, a ciranda é espaço de cuidado, cultura e formação. É onde as crianças podem brincar, criar e conviver enquanto suas famílias apresentam ao povo da cidade a produção, a organização e a força da luta Sem Terra. É também onde o futuro começa a ser construído no presente.

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