Marcha em Porto Velho inaugura movimento liderado por jovens e mulheres em defesa dos direitos sociais, da soberania nacional e da preservação democrática em um estado da Amazônia Legal; coletivo alcançou quase 4 mil seguidores em três dias
Cerca de 5 mil pessoas ocuparam o centro de Porto Velho no domingo, 11 de outubro, na Marcha pela Democracia, movimento que se uniu ao Coletivo Juventude de Rondônia, formado por jovens e movimentos estudantis. Em um dos estados de maior força do bolsonarismo, a mobilização vai além de um ato eleitoral: marca o nascimento de uma articulação popular que quer disputar os rumos políticos de Rondônia e ampliar a defesa da democracia na Amazônia Legal.
A localização do estado confere outra dimensão à mobilização. Rondônia integra a Amazônia Legal, território estratégico para o futuro ambiental, social e econômico do país. Nesse contexto, defender a democracia também significa fortalecer a participação popular nas decisões sobre a região, a soberania nacional e a proteção dos direitos de sua população. Para os organizadores, não basta enfrentar ameaças aos direitos conquistados: é preciso construir uma mobilização capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade e colocar a juventude no centro desse processo.
A Marcha reuniu apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu a preservação dos direitos conquistados, a liberdade de expressão e o respeito à Constituição Federal de 1988. A mobilização também levou às ruas reivindicações como o fim da escala 6×1, a valorização dos salários, a defesa dos direitos LGBTQIAPN+ e a soberania nacional.
Um movimento construído de baixo para cima
O Coletivo Juventude de Rondônia nasceu da necessidade de organizar a juventude e ampliar a mobilização democrática no estado. A iniciativa busca encontrar linguagens capazes de aproximar a política do cotidiano das pessoas, dialogando não apenas com estudantes e jovens, mas também com outros segmentos da sociedade.
A organização é independente de partidos políticos, embora assuma posições políticas claras em defesa da democracia e dos direitos sociais. O trabalho é voluntário, a gestão é participativa e as decisões são construídas coletivamente. Mulheres têm papel central na articulação e na condução do movimento.

A velocidade da mobilização também chama a atenção: em apenas três dias de criação, o coletivo alcançou quase 4 mil seguidores nas redes sociais. Para os organizadores, o número demonstra que existe espaço para novas formas de organização política e participação popular em Rondônia.
A articulação contou com a participação dos movimentos Juventude de Rondônia, Resistência Popular e Marcha pela Democracia, além do apoio de partidos, organizações sociais e entidades da sociedade civil. Entre os apoiadores estavam PT, PSB, Unidade Popular (UP), Olga Benario, União da Juventude Rebelião (UJR), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), além da união de diversos ritmistas locais.
Democracia também significa direitos e condições dignas de vida
Para os participantes, defender a democracia não se limita ao processo eleitoral. Significa garantir que a população possa participar das decisões políticas, preservar direitos constitucionais e reivindicar condições dignas de vida e trabalho.
Por isso, a Marcha incorporou pautas diretamente relacionadas ao cotidiano da população: o fim da escala 6×1, salários dignos, proteção contra a discriminação e garantia de direitos para pessoas LGBTQIAPN+. A soberania nacional também esteve entre as reivindicações, com a defesa de que as riquezas e os recursos estratégicos brasileiros atendam aos interesses da população.

O movimento sustenta que a Constituição de 1988 não pode ser ameaçada e que a defesa das instituições democráticas precisa caminhar junto à proteção dos direitos sociais. Nesse contexto, a mobilização em Rondônia procura somar forças à articulação nacional pela democracia e pela reeleição de Lula.
Próxima mobilização será em 24 de outubro
A Marcha pela Democracia terá continuidade no dia 24 de outubro, véspera das eleições. A nova mobilização pretende ampliar a participação popular e consolidar a articulação iniciada nas ruas de Porto Velho.
Em um estado frequentemente associado à força eleitoral do bolsonarismo, jovens, estudantes e movimentos sociais querem demonstrar que a disputa política também se constrói com organização coletiva, presença nas ruas e diálogo com a sociedade.
A mensagem dos organizadores é que Rondônia não pode ser reduzida a um único campo político: há juventude mobilizada, mulheres organizadas e movimentos populares dispostos a defender a democracia e os direitos sociais.