Lula leva 1 milhão à Paulista, anima militância e convoca virada

A Avenida Paulista se transformou, neste domingo (11), em um mar de gente e em um termômetro do ânimo da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com cerca de 1 milhão de pessoas, o ato batizado de “Marcha pela Democracia” e “Dia 11, a aula é nas ruas” mostrou uma base mobilizada, diversa e combativa, misturando estudantes, movimentos sociais, partidos de esquerda e comunidades de fãs de artistas.

A mobilização em São Paulo marca o início da ofensiva da campanha no Sudeste. Nos próximos dias, Lula seguirá com atos temáticos no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. A região soma quase 40% do eleitorado nacional e deu vantagem ao presidenciável Flávio Bolsonaro no primeiro turno. A mensagem das ruas de São Paulo foi clara: a tropa está animada, organizada e pronta para a batalha final.

O chamado aos 30 milhões

Em seu discurso, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), Lula fez um balanço de sua trajetória e traçou o plano de governo para um futuro focado na revolução tecnológica, na inteligência artificial e na segurança pública. Mas o recado final foi um chamado direto à responsabilidade individual de cada eleitor.

“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar”, disse Lula, referindo-se à abstenção no primeiro turno. “Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas. Se o Lula, com 81 anos de idade, está com a saúde que tá, é porque eu quero provar que a idade não faz a gente ficar velho. O que faz a gente ficar velho é a falta de motivação, é a falta de compromisso”, agregou o presidente, que prometeu transformar o Brasil em uma grande nação.

Ato ”Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais” na Avenida Foto: Ricardo Stuckert

Lula na ofensiva: críticas ao TSE e os quatro pilares da semana

Em entrevista coletiva antes do ato, Lula enumerou “quatro coisas importantes” que definirão os rumos do País: a vitória nas urnas no dia 25, a votação do fim da escala 6×1 na quarta-feira (14), a aprovação da PEC da Segurança Pública (que criará o Ministério da Segurança) e o questionamento sobre o “tesouraço” de R$ 250 bilhões prometido por Flávio Bolsonaro. Lula comparou o pacote bolsonarista ao desmonte feito por Javier Milei na Argentina.

No entanto, o tom de combate do presidente se acirrou ao abordar a decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, de suspender o canal “Exército do Lula” no WhatsApp. “Eu acho um absurdo”, protestou. “Nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, disparou Lula, classificando a medida como censura e exigindo um “comportamento civilizado e republicano” da Justiça Eleitoral.

A força do Nordeste e o “cavalo da mentira”

O ato também serviu para consolidar a união do campo democrático e exaltar a força política do Nordeste dentro do maior colégio eleitoral do país. A locutora do ato destacou a avenida como “tapete vermelho para receber os filhos do Nordeste”.

Governadores nordestinos reeleitos fizeram discursos emocionados e estratégicos. Jerônimo Rodrigues (BA) pediu união em nome da juventude, das mulheres e dos idosos. Rafael Fonteles (PI) convocou os descendentes de nordestinos a garantirem o desenvolvimento da região. Já Elmano de Freitas (CE), que derrotou Ciro Gomes na disputa estadual, foi categórico: “O povo do Nordeste quer viver é no Nordeste com Lula presidente!”.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) usou o palanque para desmontar as mentiras de Flávio Bolsonaro sobre o empresário Vorcaro. “Esse filme é o cavalo da mentira! E o povo quer verdade! São Paulo não quer ditadura, nossos ídolos não são o coronel Ustra”, afirmou Alckmin, sendo interrompido por aplausos.

Janja da Silva, esposa do presidente, fez um apelo emocionado direcionado às mulheres e mães, citando a imagem que chocou o país ao fim do primeiro turno: uma criança empunhando uma arma. “É a Constituição que as mães querem ver nossas crianças levantando. Por isso, presidente, nós estamos na rua para defender a nossa Constituição”, disse Janja, entre lágrimas.

Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, foi um dos primeiros a capturar o espírito da multidão ao subir ao trio elétrico. “Vamos às ruas, vamos às redes, vamos ao centro, vamos às periferias, virar esse jogo! Dá para virar! E vamos reeleger Lula e botar o miliciano no esgoto de onde nunca devia ter saído!”, conclamou, pedindo que a militância foque em conversar com quem não votou no primeiro turno.

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