O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou neste domingo (11) de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, que reuniu apoiadores, movimentos estudantis e lideranças políticas em mobilização para o segundo turno das eleições presidenciais.
Durante o discurso, Lula pediu que seus apoiadores conversem com eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, destacando a importância de ampliar a participação eleitoral.
“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Muita gente que tem acima de 70 anos não foi votar porque a lei não exige que vote. Entre abstenção e pessoas que não foram votar, são 30 milhões. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar. Porque, se essa pessoa não quer votar por ela, tem filho, tem filha, tem neto, tem bisnetos e tem a pátria dela para cuidar. Portanto, temos que convencer as pessoas”, afirmou.
A manifestação ocorreu nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e contou com a participação de entidades ligadas à educação, à ciência e à tecnologia, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
Entre as autoridades presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a ex-ministra Marina Silva (Rede), o ministro Guilherme Boulos (PSOL) e os governadores Elmano de Freitas (CE), Jerônimo Rodrigues (BA) e Rafael Fonteles (PI).
Propostas para um novo mandato
Durante o ato, Lula também apresentou prioridades para um eventual próximo mandato, com destaque para investimentos em inteligência artificial, indústria digital, transição energética e segurança pública.
“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica deste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial. A gente vai ter que formar muita gente para a nova indústria digital. A gente vai ter que fazer a evolução energética. A gente vai ter que fazer uma revolução na segurança pública, porque nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos, para que a sociedade possa viver tranquila”, declarou.
O presidente também criticou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, acusando-o de negligenciar a ciência e a medicina.
“Vocês sabem que construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é simples. Vocês sabem o que a família bolsonarista fez nesse país. Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo asfixiadas. Vocês viram quantos milhões de pessoas foram enterradas em sacos pretos sem poder se despedir da sua família, porque tivemos um presidente irresponsável, que duvidou da ciência, que não acreditou na medicina”, afirmou.
Fim da escala 6×1 e críticas ao TSE
Antes da manifestação, Lula conversou com jornalistas e comentou a proposta de fim da escala de trabalho 6×1, cuja votação, segundo ele, está prevista para quarta-feira (14).
O presidente afirmou que a oposição deverá se posicionar sobre a ampliação dos dias de descanso dos trabalhadores e criticou a possibilidade de adiamento da votação para depois das eleições.
“Já está conversado com o Alcolumbre. Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor. Eles vão ter só isso. O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. É agora. Agora é a hora da verdade”, declarou.
Em seguida, Lula cobrou um posicionamento do Partido Liberal (PL) sobre a proposta.
“O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais. É isso”, disse.
Lula também comentou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
O presidente classificou a medida como um absurdo e afirmou que sua campanha pretende recorrer à Justiça Eleitoral e também criticou o que considera interferência da Justiça Eleitoral na disputa presidencial.
“Nós vamos hoje, sabe, entrar na Justiça com um pedido do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”, afirmou.