
O canal oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no WhatsApp ganhou 200 mil seguidores em apenas 20 minutos neste domingo (11), alcançando a marca de 500 mil inscritos. O crescimento ocorreu após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, censurar o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que reunia aproximadamente 3,3 milhões de seguidores.
A decisão foi tomada a pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula no segundo turno da eleição presidencial. Nunes Marques estabeleceu prazo de três horas, a partir da notificação, para que o WhatsApp suspendesse o canal.
A determinação impede novas publicações e a entrada de seguidores até a homologação do resultado eleitoral. Na decisão, o presidente do TSE afirmou que o espaço administrado por Janones funcionava como uma estrutura centralizada de distribuição de mensagens políticas.
Segundo o ministro, o canal divulgava conteúdos falsos de maneira coordenada e reproduzia informações que já haviam sido proibidas pela Justiça Eleitoral. O magistrado considerou insuficiente a retirada isolada das publicações diante da velocidade de circulação das mensagens.
A campanha de Flávio Bolsonaro acusou o canal de disseminar informações falsas sobre o candidato. Entre os conteúdos questionados estavam mensagens que associavam o senador a milícias, atribuíam a ele a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil e afirmavam que seu eventual governo cortaria aposentadorias, benefícios assistenciais e reajustes do Bolsa Família.

Essas alegações foram apresentadas pela campanha ao tribunal como exemplos de desinformação eleitoral. A ordem de suspensão foi expedida antes do encerramento de um prazo estabelecido pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, em outro processo relacionado ao mesmo canal.
No sábado (10), Cueva havia determinado que Janones e a campanha de Lula apresentassem esclarecimentos em cinco dias. A campanha de Flávio também deveria encaminhar informações e provas no mesmo período. A decisão de Nunes Marques ocorreu antes do recebimento dessas manifestações.
Além de determinar a suspensão, Nunes Marques exigiu que o WhatsApp informasse, em até 48 horas, as providências adotadas para cumprir a ordem judicial. A empresa também deverá identificar outros canais eventualmente vinculados a Janones e preservar, durante um ano, registros, mensagens e metadados do espaço suspenso. A eventual restrição individual ao deputado na funcionalidade de canais será analisada posteriormente.
A campanha de Lula contestou a medida e informou que estuda providências judiciais. “Causa estranheza e revolta a decisão do ministro Kassio Nunes Marques e a campanha esta analisando as medidas jurídicas cabíveis”, declarou a coordenação da candidatura à reeleição. A manifestação ocorreu após a divulgação da ordem de suspensão, publicada no fim da manhã deste domingo.