
Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite de quarta-feira (7), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, no Recife, poucas horas depois de circularem mensagens com ameaças explícitas de explosão, morte e violência contra integrantes da comunidade universitária.
A professora associada Liana Lewis disse ao DCM estar assustada com a sequência dos acontecimentos e defende que o caso seja investigado com “muita seriedade”.
O incêndio atingiu a sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), ligada ao Núcleo de Inovação Tecnológica da UFPE. Cinco viaturas do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas. Até o momento, não havia informação sobre feridos e a causa do fogo ainda não havia sido esclarecida.
Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em apenas uma semana. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido pelo fogo. No domingo (5), outro incêndio ocorreu no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Nos dois casos anteriores, não houve vítimas.
Liana relata que, paralelamente aos incêndios, começaram a circular mensagens com ameaças contra estudantes e universidades.
“Eu estou bem assustada”, afirmou. “Estou recebendo várias postagens de ameaças que estão circulando de atos de terrorismo, dizendo que vão matar os nossos alunos, que a gente está fazendo manifestação e vão colocar bombas na universidade”.
Entre as mensagens obtidas pelo DCM estão ameaças como: “VAMOS EXPLODIR O DEPARTAMENTO DE VOCÊS. SEGUNDO TURNO É FLÁVIO. NOSSO ATO VAI VIR MAIS FORTE…” Na sequência, a mesma mensagem diz: “FIQUEM ESPERTOS COM A BOMBA.”
Outra mensagem afirma: “Tenho bombas na mala do carro.” Em outro registro, aparece uma ameaça ainda mais direta: “VOCÊS IRÃO SE ARREPENDER DE TEREM NASCIDO.” Há ainda conteúdo racista, incluindo: “Tem que matar esse negrinho”.

As mensagens também fazem referência a manifestações políticas em universidades e à mobilização de grupos de direita. Uma delas menciona um evento pró-Lula previsto para o dia seguinte e, em seguida, aparece uma referência a bombas.
A causa permanece sob investigação. Liana Lewis conta que a universidade vive um momento de intensa mobilização política e que nunca havia visto a instituição tão movimentada.
“Os alunos, os professores, eu nunca vi a universidade tão movimentada politicamente”, afirmou. Na avaliação da professora, uma das possibilidades é que as mensagens sejam apenas uma tentativa de intimidação.
“Eles estão querendo instaurar o caos, né? Agora a questão é: pode ser só guerra psicológica e ser uma coincidência? Pode. Mas se não for?”, questionou.
“Amanhã à tarde eu vou dar uma palestra, à noite eu vou aplicar duas provas em Direito. Aí imagina, eu vou e acontece alguma coisa?”, questiona. “Eu sei que os professores estão todos bem preocupados e abalados psicologicamente”.
Ela também contou que uma ex-aluna, policial militar aposentada e, segundo ela, pessoa de sua confiança, recomendou que as ameaças fossem tratadas com máxima seriedade.
“Ela já foi convidada para fazer a segurança pessoal do ex-governador do estado. Me disse agora que isso tem que ser investigado com muita seriedade”, relatou Liana.
URGENTE! Um dia após ato de estudantes contra Flávio Bolsonaro em Recife, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é incendiada e vazam mensagens com ameaças atribuídas a bolsonaristas. https://t.co/si2VTQVgJi
— Seremos Resistência!! (@seremosresisten) October 8, 2026
MEU DEUS! Um dia após ato de estudantes contra Flávio Bolsonaro, prédio da UFPE é atingido por incêndio.
Segundo relatos, horas antes do ocorrido, alunos teriam recebido ameaças, incluindo uma mensagem sobre “explodir o departamento”. https://t.co/lcT5MV39rm
— poponze (@poponze) October 8, 2026


