
Os sinais de autoritarismo na proposta de Flávio Bolsonaro (PL) já provocam alertas até nos debates da GloboNews. No Central das Eleições desta terça-feira (6), a jornalista Flávia Oliveira classificou como perigoso o anúncio de mudanças na Constituição depois do avanço eleitoral da direita no Congresso. A discussão partiu da fala do candidato sobre usar a força parlamentar de seu campo para “redemocratizar” o país.
Flávia relacionou a declaração ao histórico da família Bolsonaro, marcado pela defesa da ditadura militar e pelo desprezo ao equilíbrio entre os Poderes. Para a comentarista, o emprego da palavra “redemocratização” exige explicações diante desse passado. O debate colocou em questão o conteúdo político da promessa e os limites que um eventual governo pretende respeitar.
A jornalista lembrou que a Constituição de 1988 sustenta direitos como saúde e educação públicas, liberdade religiosa, igualdade de gênero, proteção ambiental e liberdade de imprensa. Embora muitos ainda não sejam plenamente assegurados na prática, observou, essas garantias estão ancoradas no texto constitucional.
“Um candidato, a posteriori, depois da eleição de uma maioria no Senado e na Câmara, anunciar que quer mudar a Constituição é algo efetivamente perigoso que precisa ser muito bem explicado”, afirmou. Flávia acrescentou que a confiança depositada pelos eleitores naquele campo começa a ser tratada como um cheque em branco.
🚨 Alerta geral na imprensa após Flávio Bolsonaro anunciar que usará a maioria no Congresso pra mudar a Constituição:
“A família Bolsonaro tem um DNA golpista, antidemocrático. É um clã que nunca teve apreço pelo que se entende como democracia. Anunciar que quer mudar a… pic.twitter.com/zpWfaYm7xL
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) October 6, 2026
O alerta tem antecedentes na própria emissora. No sábado (3), Natuza Nery advertiu que discursos sobre uma suposta fragilização da democracia pelo STF podem alimentar argumentos de golpistas. A preocupação é que críticas às instituições sejam usadas para justificar sua submissão ao poder político.
Também nesta terça, Míriam Leitão escreveu, no Globo, que uma vitória de Flávio daria ao bolsonarismo mais instrumentos para executar um projeto autoritário, com bancadas robustas e apoio do governo Donald Trump. A análise retoma uma advertência que a colunista já havia feito sobre a continuidade do projeto golpista de Jair Bolsonaro na candidatura do filho.
O crescimento parlamentar ajuda a explicar a preocupação: o PL terá 121 deputados e 28 senadores na próxima legislatura, números que ampliam sua força sem representar, isoladamente, maioria em nenhuma das Casas. Em análise sobre o resultado do Senado, Leonardo Sakamoto destacou o avanço da extrema direita sobre o centrão e a direita tradicional.