Lula cobra Flávio sobre fim da escala 6×1 e diz que “máscara vai cair”

Em evento marcado por articulação política e pautas trabalhistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista nesta quarta-feira (7), quando pressionou publicamente seu adversário eleitoral, Flávio Bolsonaro (PL) a se posicionar sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1, em votação no Senado. Acompanhado de lideranças regionais, o presidente transformou a votação no Senado em um teste de “hora da verdade” para a oposição.

Ao lado do governador do Piauí, Rafael Fonteles, do senador eleito pela Bahia, Rui Costa, e do candidato ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, todos do PT, Lula enfatizou que a discussão legislativa coincide com um momento decisivo da disputa eleitoral. Para o presidente, a pauta transcende a esfera trabalhista e toca diretamente na dinâmica familiar e de gênero da sociedade brasileira.

“Essa campanha está começando num bom momento, quando hoje o Senado da República começa a discutir a aprovação do fim da escala 6×1”, declarou Lula. “Nada mais é do que garantir que as pessoas trabalhem cinco dias e fiquem dois dias em casa para cuidar da família. É preciso dar civilidade ao mundo do trabalho.”

Pressão sobre a bancada oposicionista

O discurso presidencial foi desenhado para criar um constrangimento político imediato. Lula afirmou que, com o início da votação, “a máscara vai começar a cair”, forçando o adversário a decidir se orientará sua bancada a votar pelo descanso semanal de dois dias ou pela manutenção do modelo atual. Todas as manifestações, tanto de Flávio, quanto de lideranças de seu partido, têm sido contrárias à aprovação do novo regime de jornada de trabalho. Houve inclusive uma manobra frustrada de Flávio para obstruir a votação de hoje.

A crítica à escala 6×1 veio acompanhada de uma leitura social sobre a sobrecarga feminina. O presidente argumentou que, no regime de seis dias de trabalho, o único dia de folga recai sobre as mulheres como uma extensão da jornada laboral doméstica. “Se for mulher, o dia que ela tem que descansar é o dia que ela mais trabalha, porque tem que limpar a casa pela semana inteira”, pontuou.

Lula disse confiar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, colocará a matéria em votação e que o plenário repetirá a decisão já tomada pela Câmara dos Deputados. O alvo direto da cobrança foi o Partido Liberal (PL), base do adversário presidencial: “Estou confiante que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não de votar a favor do fim dessa escala que faz as pessoas trabalharem seis dias e ficarem sozinhas.”

Articulação regional e sinalizações locais

Além da pauta nacional, a entrevista serviu para consolidar apoios regionais. A presença de Rafael Fonteles e Rui Costa reforça a estratégia de blindagem no Nordeste, reduto histórico de Lula. Já a menção ao candidato ao GDF sinaliza o esforço para viabilizar uma vitória no Distrito Federal, território historicamente hostil.

Lula também anunciou que Leandro Grass trará, em momento posterior, informações relevantes sobre o Banco Regional de Brasília (BRB), sugerindo que a instituição financeira pode entrar no centro do debate local nos próximos dias. O BRB esteve mergulhado no escândalo financeiro do Banco Master e Daniel Vorcaro.

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