O cândido presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Kássio Nunes Marques, descartou qualquer interferência americana nas eleições. Esqueceu de esclarecer que não houve interferência direta, porque ainda não foi necessário. Vamos a um levantamento, produzido com auxílio de comandos para Inteligência Artificial acompanhar o tema.
Apareceu pela primeira vez um relato atribuído a um assessor da própria Casa Branca descrevendo uma estratégia deliberada do governo Trump para influir — por não intervenção pública — na dinâmica eleitoral brasileira.
O Washington Post publicou em 5 de outubro que um assessor da Casa Branca, sob anonimato, afirmou que o silêncio de Donald Trump durante o primeiro turno foi uma decisão estratégica. Segundo ele, a orientação era essencialmente permanecer em silêncio porque um endosso americano poderia ser contraproducente para Flávio Bolsonaro. The Washington Post
O aspecto mais significativo é que o assessor diz que a Casa Branca acompanhava dados sobre a reação do eleitor brasileiro. Segundo sua versão, sempre que Lula explorava politicamente Trump e a interferência americana, a mensagem repercutia junto ao público; quando Washington recuava e deixava a campanha concentrar-se em questões domésticas, o movimento eleitoral parecia favorecer Flávio. The Washington Post
Há também uma conexão direta com Paulo Figueiredo. Ele confirmou ao Post que a intervenção americana anterior prejudicara Flávio nas pesquisas e disse sobre Trump: “Ele poderia ter ajudado, e não ajudou.” A reportagem informa ainda que, na visita de Flávio à Casa Branca em maio, sua equipe decidiu deliberadamente não pedir o endosso de Trump. Um assessor dos Bolsonaro presente no encontro confirmou essa estratégia. The Washington Post
Mais importante para o segundo turno: o assessor da Casa Branca prevê que a administração continuará evitando ações que possam interromper o impulso de Flávio. Sua justificativa é explícita: Washington quer minimizar a aparência de interferência, porque uma ajuda ostensiva poderia beneficiar Lula. The Washington Post
Não apareceu memorando, pesquisa, contrato ou base de dados mostrando quem fornecia esses dados à Casa Branca, como eram coletados ou se existia compartilhamento com a campanha de Flávio.
Esse último ponto abre uma pista especialmente importante para a investigação sobre Rockbridge e inteligência eleitoral. A pergunta agora é: que “data” o assessor da Casa Branca estava vendo? Pesquisa pública? Polling privado? Monitoramento de redes? Dados fornecidos por atores brasileiros? Ou análises produzidas por organizações conservadoras americanas?
A pergunta ganha peso porque já está documentado separadamente que Pedro Sang, ligado ao projeto Rockbridge Brazil, trabalhava em uma sala na sede da campanha de Flávio, realizava reuniões e, segundo auxiliares da campanha ouvidos pela Folha, produzia relatórios; parte dos contatos era em inglês e envolvia empresários americanos. Sang nega ter trabalhado oficialmente para a campanha. Folha de S.Paulo
Portanto, agora existem duas pontas verificáveis de uma mesma pergunta: quem produzia e circulava inteligência sobre o comportamento do eleitor brasileiro entre campanha de Flávio, atores privados americanos e governo dos EUA?
O achado do Post muda, contudo, uma distinção importante da investigação: já não se trata apenas de perguntar se Trump interveio. Passa a ser necessário investigar se a Casa Branca estava administrando deliberadamente o grau de exposição de sua influência em função de dados sobre seus efeitos no eleitorado brasileiro. Isso é uma alegação atribuída a um integrante do governo americano, não ainda um fato demonstrado documentalmente. The Washington Post
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